A Brasília da cidade maravilhosa

Leitura de 5min

Construído no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, o Edifício Brasília abriga importantes empresas, como a JLL.

 

O Aterro do Flamengo, no Rio do Janeiro, foi criado na década de 1950 para permitir a criação de terrenos valorizados na área central da cidade e a construção de vias expressas ligando o centro a Copacabana. A ideia da administração municipal era resolver os problemas advindos com a explosão metropolitana da época, alimentada por intensos fluxos migratórios, evitando os altos custos com desapropriações necessárias ao alargamento das principais vias já existente na região.

Debruçada sobre o mar, no Aterro do Flamengo, está localizada “a Brasília do Rio de Janeiro”, um edifício construído no final da década de 30 sobre o qual surgiram curiosidades, algumas comprovadas, como a âncora de cerca de 1,5 m encontrada durante a preparação do terreno para a execução das fundações e que hoje está guardada no condomínio. Ou ainda, a história não comprovada de um equipamento de ar-condicionado central que teria sido importado da Alemanha, mas nunca chegou porque o navio que o transportava naufragou.

Embora a conclusão da construção do edifício Brasília tenha ocorrido no começo da década de 40, a primeira convenção de condomínio foi registrada apenas em 1950. O motivo da lacuna de quase 10 anos sem ocupação não é conhecido, mas especula-se que se deva ao fato de a incorporadora querer comercializá-lo para órgãos do governo.”

Não existem documentos que comprovem esta intenção, entretanto, na ocasião o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil. Algumas coincidências reforçam esta história, como a semelhança da planta baixa do edifício com o Plano Piloto da atual capital do País: ambos possuem duas “asas” saindo de uma parte central, além do próprio nome da construção, Brasília, uma década antes da inauguração da cidade.

Dois em um

O edifício atual é a unificação de dois prédios: o Edifício Brasília e o Edifício Anexo Brasília (finalizado entre os anos de 1942 e 1943). Daí a existência de duas portarias, uma na Avenida Rio Branco, 311, e outra na Avenida Presidente Wilson, 113. Apesar de terem sido separadamente. Provavelmente, a separação dos edifícios se deve a fatores burocráticos, como a licença de obra e o registro na Prefeitura.

A planta original do Edifício Brasília definia 24 unidades de escritórios por andar – do 1º ao 6º andar – com acesso pela Avenida Rio Branco. Já a portaria da Avenida Presidente Wilson dava acesso aos apartamentos residenciais de 250 m², localizados do 7º ao 13º andar, que foram ocupados por importantes famílias cariocas, como a Manela, fundadora da fabricante de lingeries DeMillus.

Com a valorização da zona sul e o fortalecimento da vocação comercial na região central do Rio, os apartamentos foram dando lugar a escritórios comerciais. A convenção de condomínio, que estabelecia que o edifício era de uso misto, favoreceu essa reversão sem implicações legais. Com as aquisições e unificações, a estrutura foi alterada. As varandas dos últimos andares foram ocupadas por escritórios, o que desconfigurou a fachada original e impediu que o prédio fosse tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.”

A administração sempre foi própria e, apesar de nunca ter passado por uma grande reforma ou restauração, o Edifício Brasília teve uma fase de revitalização a partir de 1994. Atualmente, o prédio está totalmente locado, com mais de 30 empresas instaladas e aproximadamente 2.500 ocupantes. Entre os condôminos está a filial carioca da JLL, com cerca de 20 funcionários, e outras grandes empresas como Nextel e Paramount Pictures.

Jornalista Responsável: Velma Gregório – MTB 5497