América Latina: Investidores hoteleiros estão otimistas

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Investidores esperam melhora nos principais mercados regionais; Brasil e México lideram transações.

Os investidores hoteleiros estão otimistas em relação à América Latina apesar do clima econômico adverso. A adoção de políticas macroeconômica bastante ortodoxas pelos principais países latino-americanos, vem reforçando a confiança dos investidores na capacidade de adaptação da região. Mesmo mantendo-se cautelosos, eles esperam uma melhora no desempenho dos principais mercados da região no curto e médio prazo.

A Pesquisa Latin America Hotel Investor Sentiment Survey 2017, publicada pela JLL Hotels & Hospitality Group, mostra que os mais importantes investidores da região estão estrategicamente segurando investimentos, preferindo trabalhar nos mercados sabidamente superofertados, visando obter valor no futuro.

Preocupações com a estabilidade econômica e política, além de segurança e violência ressurgiram como os principais entraves para os investidores da região, segundo a pesquisa. O estudo JLL Latin America Hotel Investor Sentiment Survey entrevistou 500 principais investidores ativos na América Latina sobre suas intenções de investimento na região atualmente.

Globalmente, entre os países emergentes, a Índia vem apresentando o melhor desempenho no setor hoteleiro. Mas, devido à alta complexidade de seu ambiente de negócios, a América Latina torna-se uma opção atraente para interessados em investir em mercados emergentes”, diz Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels & Hospitality Group.

Brasil e México lideram transações 

O volume de transações hoteleiras na América Latina entre 2014 e 2016 foi de US$ 3,5 bilhões, sendo que a liquidez foi liderada pelo México e pelo Brasil, que juntos, foram responsáveis por 45% das transações realizadas na região nesse período.

No Brasil, explica Mader, como o setor de incorporação imobiliária ainda vem sendo negativamente impactado pelo cenário econômico, a perspectiva é de que continuem ocorrendo transações com a participação de fundos de investimentos e outros tipos de investidores institucionais.

A pesquisa da JLL mostra ainda que há um interesse maior dos investidores na aquisição de ativos hoteleiros em cidades secundárias, enquanto no Rio de Janeiro e em São Paulo, os investidores estão mais inclinados a segurar os investimentos.

Essa é a tendência observada nos principais mercados da região, os investidores estão propensos a segurar investimentos nas principais capitais, enquanto mostram apetite para aquisições em cidades secundárias”, analisa Mader.

Desempenho dos hotéis 

Mesmo que a performance dos hotéis não tenha sido uniforme na América Latina em 2016, a maioria dos países registrou crescimento do RevPAR*. Cidade do Panamá, Quito e Santiago registraram queda no índice em relação a 2015. O Brasil também sofreu, com exceção do Rio de Janeiro, onde o RevPAR aumentou dois dígitos, impulsionado pela realização das Olimpíadas de 2016. A tendência é de que o RevPAR continue aumentando na região este ano, já que o turismo vem apresentando bom desempenho e, de forma geral, espera-se um crescimento moderado do novo estoque.

A Pesquisa JLL Latin America Hotel Investor Sentiment Survey entrevistou 500 principais investidores ativos na América Latina sobre as intenções de investimento na região. Os resultados apresentados são uma média obtida entre todos os respondentes, e não incluem opiniões de analistas ou consultores.

Nota: *RevPAR (abreviatura de revenue per available room) é um índice de rentabilidade que combina a taxa de ocupação e a diária média, representando a receita por apartamento disponível. O RevPAR é obtido dividindo-se a receita de apartamentos pelo total de apartamentos disponíveis no ano ou multiplicando-se diretamente a taxa de ocupação anual pela diária média.

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