Após home office virar tendência, escritórios precisam ser ainda mais atraentes

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Modelo trouxe um novo desafio às empresas: tornar seus espaços de trabalho tão acolhedores quanto as residências dos seus funcionários e, consequentemente, mais produtivos

O Managing Director de Corporate Solutions da JLL para a América Latina, Washington Botelho, tem uma preocupação constante com experiência do usuário. “Pensei bastante em como apresentar alguma coisa que realmente fizesse a diferença para vocês nesses 20 minutos”, comentou, para o público C-level que acompanharia a sua palestra no World Trade Center, em São Paulo, no princípio de abril.

Managing Director da JLL contribuiu com o debate sobre futuro do trabalho no WTC

Managing Director da JLL contribuiu com o debate sobre futuro do trabalho no WTC

O tema do encontro já é uma megatendência – futuro do trabalho. “Basta digitar no Google para encontrar uma série de coisas”, sorriu Botelho, ciente de que ele próprio contribui com alguns dos 137 milhões de resultados apresentados na busca digital. Em outra publicação deste mesmo Panorama, o executivo da JLL já abordou o assunto em uma coluna.

O futuro, porém, está cada vez mais presente. Com a consolidação do modelo de home office, por exemplo, cresce a necessidade de as empresas tornarem seus espaços de trabalho tão atraentes e acolhedores quanto as próprias casas dos funcionários. Daí a experiência do usuário ser algo que tenha passado a merecer ainda mais atenção de Washington Botelho.

Quando pensamos na questão do home office, já vemos o mercado caminhando para um ponto mais central. As pessoas foram para as suas casas trabalhar, mas começaram a perceber que também precisavam participar de comunidades, ter ambientes flexíveis. Há um desafio enorme para todos nós, enquanto gestores, de criar esses espaços favoráveis à produtividade dentro dos nossos escritórios”, alertou o executivo da JLL.

Pesquisas corroboram com esse raciocínio. Segundo a Deloitte, 88% dos millennials querem autonomia para escolher onde e quando trabalhar. E as empresas têm sido bem-sucedidas na missão de atraí-los para dentro dos seus escritórios. O Guia de Benchmarking de Ocupação da JLL aponta que houve um declínio da utilização de home office nos programas de mobilidade das corporações estudadas, de 45% em 2017 para 36% em 2018. Entre as razões para a queda, está a criação de espaços mais colaborativos e eficientes, que apoiem as escolhas dos funcionários.

Pessoas felizes produzem mais

De acordo com Washington Botelho, empresas bem-sucedidas já mudaram um ponto decisivo em relação ao cuidado dispensado com os seus recursos humanos – querem contar com funcionários felizes, e não apenas satisfeitos. Não é à toa. A Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, aponta que a felicidade torna as pessoas 12% mais produtivas; aquelas infelizes, por outro lado, chegam a ser 10% menos produtivas.

A qualidade vida é um aspecto importante. Estudos mostram que, para cada US$ 1 que a sua organização investe em tratamento na parte de bem-estar, há um retorno de US$ 3,9. É um dado muito importante: mostra que outras necessidades emergiram no ambiente profissional”, observou Botelho.

Felicidade torna as pessoas 12% mais produtivas, de acordo com a Univesidade de Warwick

Felicidade torna as pessoas 12% mais produtivas, segundo a Universidade de Warwick

Sob esse aspecto, aumentou a relevância dos serviços de Gerenciamento Integrado de Facilities para as empresas. “Houve uma mudança muito grande no papel de Real Estate. No passado, era visto como algo que quase se resumia à aquisição de bens e artigos fixos; hoje, ao contrário, exerce papel estratégico. É preciso suportar o core business de uma organização e cada vez mais ser parte integrante do negócio. A conexão do Real Estate com o RH e a TI, por exemplo, é marcante nas empresas do futuro”, disse o Managing Director da JLL.

Assim, tanto para os profissionais do mercado imobiliário quanto para os de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação, volta à tona a pergunta: como o escritório pode se aproximar do conforto de um lar?

Em sua palestra no WTC, Washington Botelho citou alguns exemplos de empresas que já estão atentas a esse assunto – há algumas, de tecnologia, que passaram até a servir ração para os cachorros de suas equipes em determinados dias da semana.

Decisões tomadas na palma da mão

Tecnologia e disrupção são um caminho sem volta”, sentenciou Botelho, avançando na discussão sobre futuro do trabalho. “Se estou na minha casa e resolvo qualquer coisa pelo meu telefone celular, por que, quando vou à minha organização, tudo é analógico? Por que eu sentiria prazer em ir à minha organização se não consigo ter os mesmos acessos e facilidades de quando estou em casa?”, provocou.

Aos 59 anos, Washington Botelho diz saber que baby boomers como ele “são uma espécie em extinção”. A geração ainda representa a maioria de líderes do mercado mundial, porém já se prepara para sair de cena.

A cada dia, 10.000 baby boomers completam 65 anos de idade. Chegou a vez dos millennials, que são completamente diferentes de nós. São digitais, valorizam o ambiente de trabalho. Quanto mais temos pessoas assim, mais ficamos preocupados com as mudanças que estão acontecendo. Quem tem consciência da importância de reter pessoas – porque talento é o grande diferencial de uma organização – deve olhar para o ambiente do seu escritório”, orientou.

A JLL olha para esses ambientes de maneira profissional. O vídeo abaixo encerrou a palestra de Washington Botelho no WTC e serviu para apresentar uma nova solução tecnológica para os serviços de facilities da consultoria imobiliária – o Experience APP. Confira:

 

 

E, então, como nós podemos oferecer as melhores condições para os nossos empregados produzirem? O que vocês acabaram de ver está por trás de tudo isso, agora na palma da mão: segurança, conforto térmico, conforto visual, serviços para reuniões, gestão de operações, o embaixador – uma atividade recente, para cuidar das pessoas do escritório –, bem-estar, comidas, bebidas…”, concluiu Washington Botelho.