Cada espaço de trabalho traduz uma cultura, conta uma história

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Um olhar para o mercado é essencial para que a inovação seja possível. As pessoas precisam ser instigadas a olhar para fora.

Os espaços de trabalho devem refletir a cultura e a maneira de trabalho de uma empresa. Panorama continuou a conversa com Gabriela Pizarro, gerente de projetos da JLL, para abordar outros pontos relacionados aos ambientes de trabalho. Se você não leu a última entrevista, clique aqui.

Panorama – Como um espaço de trabalho pode influenciar o surgimento de ideias criativas, troca de informações e interação?

Gabriela Pizarro – Justamente o que nos atrai aos escritórios é a possibilidade de trocar experiência e interação não só com sua equipe, mas com a empresa como um todo. O surgimento de ideias pode vir de qualquer lugar e situação.

O espaço físico tem que ser capaz de proporcionar comunicação e inovação. E essas duas palavras não são traduzidas num escritório totalmente aberto, colorido e cheio de peças e artigos inusitados. É preciso que haja conforto aos olhos, aos ouvidos e ao corpo para que a pessoa tenha foco no seu trabalho, queira realmente sentar e discutir uma solução com um colega, tome um café e jogue papo fora. Tem que haver um equilíbrio, que pode ser encontrado com inserções de mobiliários, uso de equipamentos tecnológicos e arquitetura adequados e balanceados dentro do layout como um todo.

Um segundo ponto muito importante e, às vezes esquecido, é a necessidade de alimentar as pessoas que ocupam este local com informações complementares ou até mesmo que não têm conexão direto com o business da empresa. Um olhar para o mercado é essencial para que a inovação seja possível. Isso pode ser feito com inclusão de materiais de leitura pelo ambiente (revistas do setor próximo aos cafés, por exemplo), monitores internos sendo alimentados com informações, quadros abertos para que possam ser incluídas comunicações de workshops e outras atividades de interesses dos funcionários. Enfim, as pessoas precisam ser instigadas a olhar para fora.

Tem gente que se incomoda com o barulho vizinho no escritório ou quer mais privacidade para a realização de uma tarefa. Então, durante o planejamento de um novo escritório do cliente, como essas questões relacionadas à privacidade são pensadas? Os funcionários são ouvidos antes de o processo do novo escritório começar a acontecer?

Gabriela Pizarro – Sempre digo que o mais importante de um projeto é entender o seu cliente. Não existe uma receita de bolo, mas claro que deve haver dentro do layout áreas especificas de privacidade individual e comum. Mas a medida somente será acertada se o projeto refletir a cultura e a maneira de trabalho das pessoas que compõem a empresa do seu cliente. Mas é claro, após capturar essas necessidades dos funcionários, a arquitetura deve estar alinhada com a estratégia da empresa. Isso significa que, muitas vezes, uma empresa tem um projeto de mudança cultura da qual a renovação do escritório faz parte.

Como tornar um escritório empático? Há diversas linhas de estudo que falam que os produtos e espaços que usamos devem tornar o ambiente mais humano, mais acolhedor e mais empático. Isso é possível?

Gabriela Pizarro – Sim, é possível desde que estejam conectados com tudo que contorna esses locais. Fazer uma sala de descanso e relaxamento ao lado da sala de reunião da presidência da empresa não fará com que o escritório seja mais empático. Nem o melhor sofá irá quebrar o receio que as pessoas ainda têm de estarem descansando ao lado do presidente. Por isso, digo que quando falamos de ambientes de trabalho não é um único ponto que faz a diferença, mas sim o conjunto de soluções aplicadas.

Algum cliente já procurou a JLL porque tem interesse em fazer adequações em seu espaço de trabalho para tirar a nova certificação WELL, focada em saúde e bem-estar?

Gabriela Pizarro – Acredito que a certificação Wellness é uma parte do projeto. Mas temos diversos casos onde o problema central do cliente era retenção de talentos, e daí uma das soluções integradas desta estratégia quase sempre inclui repensar o local de trabalho.