Choque na gestão energética das empresas

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Business plan inteligente é rota certa para atender à norma internacional que pode impactar 60% da energia em uso no mundo.

 

Que tal ganhar uma força extra na gestão de consumo de energia, economizar dinheiro e ainda somar pontos no ranking da sustentabilidade? Essas são apenas algumas das vantagens que as empresas podem tirar a partir da entrada em vigência das normas técnicas ISO 50001, publicadas em meados do ano passado pela International Organization for Standardization.

Para alguns gestores mais tarimbados, ouvir o nome ISO pode causar desconforto – muitos ainda lembram das dificuldades na implantação de sistemas de gestão baseados nas normas ISO 9000, ainda nos anos 90, quando tudo era novidade e os sistemas de TI disponíveis nem sempre ajudavam. Mas isso é passado e as coisas não só melhoraram muito como se tornaram bem mais simples, assegura Frederico Vasconcellos, diretor de Engenharia e Operações para a área de Gerenciamento Integrado de Facilities da JLL no Brasil. Principal responsável pela oferta de serviços relacionados à gestão eficiente de energia na companhia, Vasconcellos conta que a nova “norma verde” global parte de princípios conhecidos – a base é o enfoque Planejar-Executar-Revisar-Corrigir já usado em ISO e outros standards – e seus impactos positivos são tão evidentes que companhias de quaisquer mercados não abrirão mão de implementá-la.

Estima-se que essa norma possa influenciar diretamente mais de 60% da energia em uso no mundo. Isso significa um bocado de coisas, mas a principal é que as empresas preocupadas com gestão ecoeficiente têm nela uma forma muito rápida e efetiva de ir na direção certa – e o que é um diferencial estratégico hoje rapidamente se tornará uma commodity obrigatória. Sair na frente neste quesito, então, é ótimo”, diz Vasconcellos.

Concebida como ferramenta para padronizar planos de manutenção e melhoria de desempenho em uso energético, a ISO 50001 foi lançada em 2011 para responder a uma demanda da United Nations Industrial Development Organization (UNIDO) para o desenvolvimento de um padrão de gerenciamento de energia. Na prática, se traduz em um sistema para gerir gasto de energia em instalações comerciais, plantas industriais ou mesmo companhias inteiras, tanto no setor público como no privado. Assim como outros padrões de busca de qualidade total, a norma acaba impactando não só seu objeto direto, mas se estendendo por praticamente todos os aspectos da gestão do negócio. Os resultados surgem em cascata – vão da óbvia redução imediata de custos operacionais e instalação de Baseline e Benchmark, até a reinvenção de processos. No limite, dão ainda destaque à empresa por diminuir sua pegada de carbono e emissão indireta de gases do efeito estufa.

Para o diretor da JLL, é fundamental que as empresas entendam como o consumo de energia afeta os negócios. Para isso, nada melhor que um plano personalizado que identifique os fatores mais relevantes para atingir suas metas e tirar máxima vantagem das novas possibilidades abertas com a ISO 50001. “O diagnóstico é importante porque possibilita criar a figura do gestor interno de energia e iniciar de fato um processo de gerenciamento sustentável da área. Os benefícios se multiplicam a cada etapa da cadeia de valor, com ganhos financeiros de magnitude”, diz Frederico Vasconcellos.

Mesmo com tantas vantagens, há um fator com o qual as altas gerências de companhias precisam lidar: a acomodação.

É comum hoje que o consumidor corporativo assuma uma postura cômoda de esperar por novas tecnologias ecoeficientes, e é aí que está o grande erro. Esse desenvolvimento, tanto na ponta da geração quanto na do consumo, leva tempo e implica em investimentos relevantes. Trabalhar com o que já se tem é muito mais racional”.

Vantagens para todos os gostos

Um business plan com foco energético deve se valer da racionalidade para apoiar o cliente não apenas a obter a Certificação ISO 50001 como também a expandir e capitalizar a realização. É factível, por exemplo, priorizar o uso de tecnologias que levem eficiência à cadeia de fornecedores, gerando valores – tangíveis e intangíveis – frente à opinião pública.

Outro ponto importante é fazer frente à questão de controle de custos de energia pública. As empresas muitas vezes não têm poder de negociar tarifas, mas a gestão eficiente pode contornar essa questão. “O impacto positivo sobre o budget operacional da empresa é imediato”, garante Frederico Vasconcellos.

No balanço geral, a implantação da norma 50001 mostra que é possível crescer com sustentabilidade, maior produtividade e competitividade.

Revisando a cadeia completa de valor é fácil compreender o impacto de uso de energia, que vai do processamento de matéria-prima até a produção de bens e sua destinação à reciclagem”, pondera Vasconcellos. “A energia é um fio amarrando tudo. Quer coisa melhor para um gestor inteligente usar como ferramenta de otimização?”