A cidade do Rio de Janeiro hoje promove uma série de iniciativas próprias, seguindo as diretrizes da lei federal, que visam melhorar a acessibilidade de pessoas com deficiência em locais públicos e estruturas comerciais, a exemplo de prédios e shopping centers. Mais do que modernização, esse movimento tem gerado conforto e segurança a esse público, preservando um dos principais direitos da população: o de ir e vir.

Temos notado uma preocupação com a profissionalização dos processos adotados, que envolvem investimentos viáveis em acessibilidade. Nas edificações mais novas, esse conceito tem sido mais facilmente difundido e aplicado, mas atualmente o segmento de imóveis comerciais já existentes vem promovendo mudanças positivas e significativas nesse aspecto”, informa Jorge Azevedo, gerente regional da área de Gerenciamento de Propriedades da JLL no Rio de Janeiro.

Segundo ele, o interesse crescente pelo tema converge com o período de crescimento e investimentos em vários setores da economia no Rio de Janeiro. Parte dessa mudança também é estimulada pela realização da Copa do Mundo de 2014 e dos eventos esportivos de 2016 na cidade. “Isso fez com que o modelo de acessibilidade adotado por grandes metrópoles se tornasse mais próximo da realidade carioca. Todas as instalações esportivas desenvolvidas para esses eventos, por exemplo, já agregam esse valor”, acrescenta o executivo.

No segmento de prédios comerciais multiempresariais, um dos projetos mais atuais é o do Condomínio City Tower. Localizado na Rua da Assembleia, região central e histórica do Rio de Janeiro, o edifício abriga empresas de diversos segmentos, sendo uma das referências comerciais da região do Centro. O aumento no acesso de funcionários das empresas locatárias, usuários, visitantes, prestadores de serviços, entre outros, motivou o empreendimento a investir em um sistema que facilitasse o fluxo de circulação e a infraestrutura de acesso existentes.

Edifício City Tower, localizado na Rua da Assembléia, nº 100, no Centro/RJ | Foto: Alexandre Brum/enQuadrar

Com apoio da equipe de gerenciamento predial da JLL, liderada por Christiane Durante, e a estratégica sinergia e visão do proprietário do empreendimento, o City Tower passa por um amplo e contínuo processo de modernização, iniciado com o sistema central de ar-condicionado, seguido da modernização de elevadores, escadas rolantes, sistemas de segurança eletrônica, entre outros. Quase todos os projetos foram realizados com o prédio em plena ocupação, contribuindo para a maior eficiência no consumo de utilidades, como energia e água, para o conforto e segurança das instalações”, menciona Azevedo.

A meta de conquistar a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) – selo que orienta e atesta o comprometimento de uma edificação com os princípios da sustentabilidade para a construção civil – resultou, por exemplo, na instalação de um telhado verde e na adoção de outras novas tecnologias e serviços, como o green cleaning, que reforçam o
compromisso da edificação e de seus usuários com a preservação de recursos naturais. “A série de investimentos e modernizações realizada também criou um ambiente estimulante para a introdução de novas ideias relacionadas à acessibilidade”, diz o gerente.

Além da modernização dos elevadores – que ganharam tecnologia, rapidez e mais espaço nas cabines, comportando o acesso de cadeirantes, e um sistema de voz e botoeiras para auxiliar pessoas com deficiência auditiva e visual – os sistemas de segurança eletrônica, a portaria, recepção e parte dos banheiros internos também sofrerão adaptações. “Para realizar essas alterações e avaliar a viabilidade de outras, o condomínio contou com a consultoria da arquiteta Regina Cohen, também cadeirante, que consolidou uma visão diferenciada e amplo conhecimento sobre o assunto”, acrescenta Jorge. A arquiteta contou com o auxílio de Samella Tavares de Brito, do Núcleo Pró-Acesso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante o processo.

Esse conhecimento, aliás, faz com que Regina tenha uma dimensão exata das mudanças que ainda precisam ser promovidas no Rio de Janeiro como metrópole do futuro.

O City Tower é apenas o começo, pois a cidade ainda deixa muito a desejar no quesito acessibilidade”, comenta a consultora, sem deixar de mencionar o aumento na demanda de solicitações de diagnósticos de novas obras e prédios já existentes nos últimos meses. “É interessante perceber que o Rio hoje passa por essas mudanças estruturais. A prefeitura assumiu esse compromisso e, mesmo ainda em fase inicial, vejo que mudanças ocorrem em ambientes culturais, possibilitando uma maior mobilidade de pessoas com deficiência a locais que antes simplesmente não visitávamos”, conclui.