Copa e campeonatos esportivos fazem mercado hoteleiro preparar maior oferta de quartos

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Trata-se não apenas de ampliar o número de leitos para dar conta de uma demanda crescente, mas de fazê-lo sem que, no futuro, passe a existir excesso de oferta e, por consequência, retração de preços do segmento.

Às vésperas de receber os dois principais eventos esportivos do planeta – Copa e os campeonatos esportivos no Rio de Janeiro – o mercado hoteleiro do país vive um momento de intensa movimentação. As atenções estão voltadas para um grande desafio. Trata-se não apenas de ampliar o número de leitos para dar conta de uma demanda crescente, mas de fazê-lo sem que, no futuro, passe a existir excesso de oferta e, por consequência, retração de preços do segmento.
Na lista dos principais centros financeiros globais e com a economia cada vez mais ligada ao setor de serviços, São Paulo, dona do principal mercado hoteleiro da América Latina, com 39 mil quartos, o dobro de Buenos Aires – segundo maior – é um bom exemplo de capital que precisa ampliar a oferta.

Por sua forte vocação de receber executivos que vêm fazer negócios, a cidade já sofre com escassez, principalmente nas noites de terça e quarta-feira, quando é muito complicado encontrar hotel”, observa Roberta Oncken, diretora da área de Hotéis & Hospitalidade da JLL.

E resolver o problema não é tão simples. Afinal, o número de terrenos em áreas com potencial para desenvolver empreendimentos é pequeno e os preços, bastante altos.
Por esse motivo, a oferta hoteleira de boa qualidade, que nas últimas décadas vinha se concentrando, ao seguir os passos da expansão de alguns bairros da zona Sul como Jardins, Itaim, Vila Olímpia, Faria Lima, Berrini e Moema, começa agora a buscar novas alternativas.

O Bairro da Barra Funda, na zona Oeste, tradicionalmente ocupado por armazéns e que hoje passa por uma ampla reformulação, recebendo prédios comerciais e residenciais, é um dos destinos preferenciais desse avanço. A região atrairá novos empreendimentos hoteleiros nos próximos anos.
Uma pesquisa recente da área de Hotéis e Hospitalidade da JLL identificou que, atualmente, a cidade de São Paulo tem, ao todo, 13 projetos de hotéis, o que equivale a 2.791 quartos. Mesmo assim, estima-se que a oferta hoteleira da capital paulista registre crescimento de apenas 7% até 2016.

Demanda interna

A necessidade de ampliar a oferta de leitos não tem relação apenas com os grandes eventos esportivos que o Brasil abrigará nos próximos anos. O Rio de Janeiro é um caso clássico de capital cuja demanda está sendo impulsionada também por outros fatores, como o consistente ciclo de crescimento econômico trazido à tona pelo desenvolvimento da indústria de óleo e gás.
Além da Barra da Tijuca e do Centro, responsáveis por absorver a maior parte dos turistas, o Rio tem acompanhado um movimento de expansão de oferta rumo ao interior.
Em maio, por exemplo, a rede Accor inaugurou um hotel com a bandeira Ibis em Itaboraí, município da região metropolitana localizado a 50 quilômetros da capital. A economia local vem sendo impulsionada pela construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
A JLL estima que a oferta hoteleira irá crescer 58% no Rio de Janeiro até 2016.
Roberta Oncken afirma que o Rio está longe de ser o único local cujo mercado hoteleiro precisa se expandir para acompanhar o ritmo de crescimento da economia.

Há cidades secundárias ou mesmo terciárias em que isso já é uma realidade e começa a acontecer. São os casos de Parauapebas, no Pará, onde há minas da Vale, e Sorocaba, no interior de São Paulo, que tem recebido diversas novas indústrias e empresas”, exemplifica.

Outra importante capital brasileira, Belo Horizonte, deve ter expansão ainda maior do número de leitos, com acréscimo de 74% até 2016.