Edifício Galeria, marco de renovação na história do Rio

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O Centro do Rio de Janeiro tem história para contar.

O Centro do Rio de Janeiro tem história para contar. Na Rua da Quitanda, por exemplo, chamada assim porque no século XVIII havia em uma de suas esquinas um estabelecimento comercial de nome Quitanda do Marisco, está um dos mais imponentes edifícios da cidade: o Edifício Galeria, patrimônio arquitetônico e cultural.

O prédio, inaugurado em 1949, foi projetado pelos arquitetos Joseph Gire e por Roberto R. Prentice, responsáveis por outros importantes edifícios no Rio de Janeiro. Gire é autor dos projetos do Copacabana Palace, do Hotel Glória e do Palácio das Laranjeiras. Prentice assina o projeto da Central do Brasil.

Antiga sede da SulAmérica Seguros, o edifício foi adquirido e retrofitado pela Tishman Speyer, de 2009 a outubro do ano passado. A reforma visou à adequação do prédio ao contexto atual, preservando seu valor material, estético e histórico. No caso do Galeria, a completa modernização o reposicionou no mercado como um empreendimento de alto padrão (classe AA), com tecnologia e operação atualizadas. Como resultado, os espaços são bastante elegantes, bonitos e confortáveis, mas também se evidenciam as escadas, o hall, a fachada e outros elementos do projeto original preservados.

O Galeria, com oito andares de escritórios, já tem 70% dos espaços corporativos alugados. Só os escritórios ocupam 22 mil m² do prédio (de 29 mil m² de área construída). Isso deve gerar um público interno de aproximadamente 2,5 mil pessoas diariamente.

Os escritórios possuem lajes de 2,8 mil m². Por terem este tamanho, podem abrigar uma empresa inteira no mesmo andar, com resultados mais eficientes em relação a custos de operação e manutenção. Piso elevado, forros, luminárias e ar-condicionado central são elementos desses espaços corporativos entregues às empresas que se instalam no prédio. No térreo fica a galeria, onde estão lojas de grife e dois restaurantes, que convidam os visitantes para as suas varandas. Soma-se a essas qualidades, a facilidade de estar bem próximo à Rua 1º. de Março e à Avenida Rio Branco, onde estão os diversos serviços, como bancos e restaurantes, e também ao aeroporto Santos Dumont, ao terminal de barcas, ao metrô do Largo da Carioca e ao corredor de ônibus.

Localização cultural privilegiada

Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer | Foto: Acervo Tishman Speyer/Divulgação

Não bastassem as características do prédio e a vantagem de estar no Centro, inserido no quarteirão das ruas do Ouvidor, do Rosário, do Carmo e da Quitanda, o edifício também pertence ao chamado Corredor Cultural, formado pelas áreas da SAARA, Largo de São Francisco e imediações, Lapa-Cinelândia e Praça XV. Mantido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o Corredor Cultural tem como objetivo revalorizar o Centro da cidade e, por consequência, o seu entorno.

Em 1989, o Corredor Cultural começou a realizar as mudanças nos espaços públicos, como praças, ruas, largos, calçadas, equipamentos urbanos, iluminação e arborização com o objetivo de atrair investidores, novas atividades econômicas, turísticas e culturais. Com isso, voltaram a se instalar na região empresas que tinham trocado o Rio pela nova capital, Brasília, e a região começou a ganhar um novo uso (comercial, turístico, de lazer e educacional).

O retrofit do Galeria foi executado com o objetivo de manter o equilíbrio entre a herança cultural dessa construção e a modernização do espaço físico e das instalações. Como resultado, temos um edifício de escritórios de altíssimo padrão, totalmente integrado ao processo de revitalização do Centro do Rio de Janeiro. Utilizamos todo o know-how internacional de nossas equipes, em reposicionar construções históricas, a exemplo do que já fizemos no Chrysler Building, Rockefeller Center e Hearst Tower, em Nova York”, afirma Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer.

Oferta pública inicial

Entrada para uma das lojas da galeria do edifício | Foto: Alexandre Brum

Este ano, em 14 de junho, deu-se a oferta pública inicial de cotas do Fundo Imobiliário BM Edifício Galeria, proprietário do prédio, concluída no final de agosto, com a captação de R$ 381 milhões. Os recursos captados foram destinados à compra de 100% do imóvel-alvo, que pertencia à Tishman Speyer.

O fundo de investimento imobiliário BM Galeria tem como objetivo distribuir o resultado da locação do edifício entre vários proprietários das cotas. O preço médio do metro quadrado no edifício está em R$ 120, dentro dos parâmetros do mercado carioca, segundo a JLL.

Reconhecimento

O Edifício Galeria foi reconhecido com o Prêmio Master Imobiliário na categoria Retrofit de Imóvel Antigo, premiação concedida pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) em 2009 e em 2012.

Em 2010, venceu a 48ª. Premiação Anual do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RJ). Em agosto deste ano, ganhou o Prêmio Master Imobiliário, concedido pelo Secovi e pela Fiabci, na categoria Empreendimento Comercial.