Empreendimentos investem em bicicletários

Leitura de 5min

Tendência nas grandes metrópoles, as bicicletas se tornaram, com o tempo, uma alternativa viável para aqueles que pretendem fugir do trânsito, contribuir com a preservação ambiental e, ao mesmo tempo, manter uma vida saudável.

Bicicletário do edifício Condomínio Continental Square FL | Foto: Pedro Abude

Bicicletário do edifício Condomínio Continental Square FL | Foto: Pedro Abude

Tendência nas grandes metrópoles, as bicicletas se tornaram, com o tempo, uma alternativa viável para aqueles que pretendem fugir do trânsito, contribuir com a preservação ambiental e, ao mesmo tempo, manter uma vida saudável. Diferentemente da demanda, a criação de vias exclusivas para bicicletas ainda não recebe a atenção devida nos planos de mobilidade urbana do país, segundo dados de um levantamento promovido pela ONG Mobilize Brasil. A soma das malhas cicloviárias de 12 capitais brasileiras – que contam com vias exclusivas para bicicletas – está bem distante dos 1.200 quilômetros disponíveis somente nas cidades de Berlim e Amsterdã.

Um dos destaques, no entanto, é o Rio de Janeiro. Meses antes da realização da Eco-92, a cidade decidiu construir ciclovias ao longo da praia de Copacabana. A receptividade foi tanta que novas obras surgiram ao longo do tempo, hoje totalizando 300 quilômetros de vias destinadas à circulação de ciclistas. A iniciativa resultou na 12ª posição da capital carioca no Ranking Copenhagenize 2013, elaborado pelo blog dinamarquês da Copenhagenize Design Co., que revela as 20 cidades do mundo mais amigáveis com as bicicletas. Curiosamente, o Rio é a única cidade latino-americana presente no estudo.

O interesse crescente pelas bicicletas não movimenta apenas os responsáveis pelo desenvolvimento de novas ações em desenvolvimento urbano das cidades. Além de criar condições de tráfego, também é necessário oferecer aos ciclistas alternativas que permitam preservar o seu meio de transporte. Atualmente, os bicicletários têm conquistado cada vez mais importância nos empreendimentos comerciais e residenciais brasileiros. Recentemente, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, decretou uma lei que obriga estacionamentos de novos condomínios da capital a terem vagas reservadas para as bicicletas – uma regra válida para estacionamentos públicos e privados, como prédios comerciais, residenciais, shoppings e hospitais.

Prática reconhecida

Elaborado pela primeira vez em 2011 – pelo blog dinamarquês Copenhagenize Design Co. – o Ranking Copenhagenize incluía 80 cidades, divulgadas a princípio apenas no site. As informações coletadas e a metodologia utilizada, no entanto, tornaram o estudo uma importante ferramenta, ao revelar as ações de vários países que fazem da bicicleta um meio de transporte acessível. Em 2013, a lista destacou 150 cidades, contando para isso com a colaboração de 400 profissionais, entre arquitetos, cidadãos, urbanistas e políticos. As cidades foram avaliadas com base em 13 critérios, como cultura, infraestrutura, instalações e programas públicos de empréstimos de bicicletas. Conheça as principais cidades que integram o ranking 2013:

1. Amsterdã (Holanda)

2. Copenhague (Dinamarca)

3. Utrech (Holanda)

4. Bordeaux (França)

5. Nantes (França)/ Antuérpia (Bélgica)

6. Eindhoven (Holanda)

7. Malmo (Suécia)

8. Berlim (Alemanha)

9. Dublin (Irlanda)

10. Tóquio (Japão)

11. Munique (Alemanha)/ Montreal (Canadá)/ Nagoya (Japão)

12. Rio de Janeiro (Brasil)

13. Barcelona (Espanha)/ Budapeste (Hungria)

14. Paris (França)/ Hamburgo (Alemanha)

Com isso, as novas construções deverão reservar até 10% das vagas para as bicicletas, espaço determinado em uma escala. Um estacionamento coletivo de mais de 10 vagas, por exemplo, terá que reservar uma para bicicleta, enquanto um estacionamento com mais de 100 vagas para carros, terá de acomodar cinco bicicletas. Essa determinação não é válida para estacionamentos e construções já existentes, que deverão seguir a norma de reserva somente em casos de reforma ou ampliação da área ou na renovação do alvará.

Mesmo sem a obrigatoriedade, empreendimentos já oferecem esse diferencial em seus estacionamentos. Esse é o caso do edifício Continental Square Faria Lima, que desde a sua inauguração, em 2003, está sob gestão da JLL. Segundo o síndico Waltermino Junior, há mais de um ano o condomínio oferece esse serviço.

Notamos que a demanda de usuários de bicicleta estava aumentando e decidimos criar um espaço reservado para acomodá-las”, explica.

Atualmente, o local é ocupado por um número considerável de bicicletas, o que tem motivado o edifício a planejar a ampliação de serviços voltados aos ciclistas nos próximos anos.

Ainda não temos uma data específica, mas temos a meta de aumentar o ambiente, criando novos benefícios. Isso inclui a implantação de um vestiário, com uma ducha, caso o profissional que vem ao escritório de bicicleta tenha mais conforto. Estamos verificando quais são as melhores maneiras possíveis de complementar essa área”, adianta Junior.

Independentemente da data, um fato é certo: o bicicletário do Continental Square Faria Lima adiantou-se às tendências, atendendo inclusive uma das exigências que constam no decreto da prefeitura de São Paulo – a de que as vagas precisam ser reservadas no chão. Ganchos para pendurar as bicicletas, nesse caso, não são válidos.