Equilíbrio no setor imobiliário traz novas perspectivas

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Segundo CEO da Jones Lang LaSalle, mercado imobiliário nos próximos anos vai atingir o equilíbrio, resultado da maior oferta de empreendimentos no país.

Diferentemente da expansão econômica anunciada no início de 2012 – de 4% – o Brasil prevê registrar um índice bem abaixo do esperado. No terceiro trimestre, o crescimento do país foi de 0,6%, projetando-se, a partir dessa realidade, um total de 1% no ano. Apesar do baixo crescimento da economia, o segmento de imóveis comerciais demonstrou um bom desempenho com um aumento dos valores de locação no setor de escritórios acima de 25%, apesar de uma pequena retração no último trimestre. Retração essa que pode indicar que o mercado chegou a um limite.

Os investidores estrangeiros estão mais cautelosos mas continuam apostando no potencial do setor. Prova disso são os dados de uma pesquisa divulgada pela Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire, em inglês), que coloca o país na segunda posição do ranking das nações com maiores oportunidades para investimentos imobiliários, atrás apenas dos Estados Unidos.

O Brasil se mantém como um dos principais destinos de capital estrangeiro para o setor imobiliário”, avalia Fábio Maceira, CEO da JLL no Brasil.

Segundo ele, com uma possível retração do setor de escritórios, é preciso considerar que os segmentos de varejo, industrial e hoteleiro, áreas em que a empresa também atua, permanecem em ascensão no país. Em entrevista exclusiva para o Panorama, o executivo aborda esse cenário, destacando as principais perspectivas e desafios do setor:

Panorama – Qual é a sua avaliação sobre o desempenho do mercado imobiliário mundial em 2012?

Fábio Maceira – Acredito que, de forma geral, o setor imobiliário no mundo passa por um momento difícil de decifrar, pois encontramos investidores de diferentes países com perspectivas otimistas e pessimistas. O mercado de investimentos já foi mais aquecido e percebemos que os empreendedores estão mais cautelosos, uma vez que sofreram com os impactos da crise econômica mundial.

Panorama – Por se tratar de um mercado atraente, de que forma descreveria o comportamento do setor no país em 2012?

Fábio Maceira – Não é segredo que o desempenho econômico no Brasil foi aquém das perspectivas anunciadas no início de 2012. Mas, posso dizer que, mesmo em meio a um cenário de retração, o setor imobiliário se comportou de modo interessante. Os fundos de pensão e os bancos atuaram favoravelmente durante o ano, por meio da oferta de mais recursos ao segmento e de fundos de investimentos aos investidores, respectivamente. Notamos que hoje há capital disponível no mercado de imóveis. Além disso, apesar do custo elevado para financiamento de imóveis comerciais, o Brasil permanece atraente para o investidor estrangeiro.

Panorama – Se existe disponibilidade de capital, qual será o desempenho do setor imobiliário no longo prazo?

Fábio Maceira – Isso significa o futuro crescimento no eixo Rio-São Paulo, que ganhará novos empreendimentos. Com menos pressão e mais oferta, a tendência é alcançar o equilíbrio no médio prazo. Pesquisas realizadas pela JLL revelam que, em 2012, a cidade de  São Paulo, por exemplo, ganhou cerca de 440 mil m² de novos espaços corporativos, enquanto o novo estoque do Rio de Janeiro foi de 160 mil m². São informações que nos norteiam e permitem ter uma perspectiva mais clara sobre o comportamento do setor nos próximos anos.

Panorama – Especificamente para os negócios da JLL, quais são as perspectivas para 2013?

Fábio Maceira – 2013 deve ser um ano difícil, mas nosso perfil diversificado de serviços e a qualidade de nossas equipes nos garantirão uma jornada sem grandes surpresas e quem sabe com oportunidades de tomar market share de concorrentes menos preparados.

Panorama – Além da área de escritórios, a JLL atua fortemente no setor de varejo. Quais são as expectativas para esses segmentos a partir de agora?

Fábio Maceira – O mercado de varejo está aquecido, devido ao aumento do consumo nos últimos anos, principalmente nas classes C e D. Isso nos possibilita crescer em um segmento do setor imobiliário que praticamente não existia no Brasil. A inauguração de shoppings em outros estados brasileiros também contribui para a expansão da empresa, que foi responsável pela introdução do conceito de outlets no país. Como as possibilidades são diversas, hoje contamos com uma equipe de especialistas em varejo, capacitada a oferecer todo o suporte necessário aos clientes. A tendência agora é ampliar nossa atuação e investir em pesquisas para acompanhar o movimento desse mercado.

Panorama – Especificamente no segmento industrial, outra área oportuna no Brasil, quais são as perspectivas da empresa?

Fábio Maceira – No segmento de galpões essa realidade não difere das demais. Ele está em ascensão devido ao aumento do consumo no país, que impacta na demanda de produtos e consequentemente, exigindo mais áreas de armazenagem. Estudos realizados pela JLL indicam que mais de 13,2 milhões de metros quadrados de áreas de alto padrão serão entregues até 2016. É possível verificar essa expansão com o movimento constante dos parques logísticos e as novas áreas industriais, que surgem ao longo das rodovias estaduais e federais, beneficiando nossa presença nesse mercado.

Panorama – Em sua opinião, quais são os desafios que o setor deve superar para se manter em ascensão no próximo ano?

Fábio Maceira – A continuidade da oferta de crédito, suficiente para manter o mercado aquecido, a regulamentação dos serviços de terceiros e a redução e revisão dos impostos são fatores que exigem constantes avaliações do governo, do setor bancário e do próprio mercado imobiliário.