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Durante os últimos anos os escritórios compartilhados vêm apresentando uma forte expansão ao redor do mundo e no Brasil não é diferente. Percebe-se que este tem sido um tema recorrente no mercado imobiliário, não só devido à inovação tecnológica no setor, mas também à participação cada vez maior dos principais players, como proprietários, inquilinos, consultorias, corretores e fornecedores.

A crescente demanda por esses espaços e o rápido crescimento dos principais provedores estão resultando em novos investimentos, joint ventures e aquisições no setor imobiliário em todo o mundo.

 

Globalmente, os espaços compartilhados cresceram a uma taxa de 200% nos últimos cinco anos, segundo dados do estudo Global Market Perspective, publicado pela JLL em fevereiro.

Em alguns dos principais mercados imobiliários globais como Londres, Nova York e Chicago estes espaços estão crescendo 20% ao ano e vêm se consolidando como uma parte importante das estratégias corporativas e de portfólios imobiliários.
Nos Estados Unidos, mercado mais consolidado neste tipo de operação e com praticamente 5 milhões de m² ocupados pelos grandes players – área equivalente ao estoque total de escritórios de toda a cidade do Rio de Janeiro –, a JLL estima que as locações de escritórios para a instalação de espaços compartilhados passem a representar 30% do estoque total de escritórios do país até 2030.

No Brasil, o mercado de espaços compartilhados já dobrou de tamanho nos últimos dois anos, principalmente devido à entrada de novas marcas e à criação de novos centros em ritmo acelerado.

Apesar de tímida quando comparada ao mercado norte-americano, a ocupação de escritórios compartilhados em São Paulo e no Rio de Janeiro ao final de 2017 já representava mais de 72 mil m² e há registro de outros 40 mil m² pré-locados em edifícios que ainda se encontram em fase de entrega ou construção.

Por que cresce tão rápido?

Parte deste crescimento é justificado pelos grandes aportes de empresas que apostam no segmento globalmente, acreditando na revolução dos espaços de trabalho flexíveis. Além disso, existe a demanda das empresas por espaços cada vez mais dinâmicos e há vantagens inerentes a este tipo de espaço de trabalho quando comparado a locações convencionais.

A velocidade de implementação e de início da operação, a flexibilidade contratual e a possibilidade de operação em centros diferentes ao redor do globo estão entre os principais atrativos dos escritórios flexíveis ou compartilhados.

Em linhas gerais, não se trata de um contrato de locação entre proprietário e inquilino, mas, de um contrato de prestação de serviços firmado diretamente entre a operadora do escritório e a empresa que utilizará o espaço. Sendo assim, estes contratos estão sujeitos a legislações diferenciadas e menos complexas se comparadas a uma locação tradicional.

Somado a estes fatores, muitas empresas buscam nos espaços compartilhados a inovação dos serviços prestados, que é impulsionada pela colaboração e pelo convívio de diferentes empresas no mesmo escritório.

O conceito de escritório compartilhado já mudou muito. Não se trata apenas de um espaço bacana, despojado e mais informal, utilizado só por startups de poucos funcionários.

Existem atualmente espaços compartilhados ou escritórios terceirizados para todo o tipo de empresa, desde startups até consultorias, bancos de investimentos e grandes corporações que buscam crescimento rápido e flexibilidade contratual.

Os fornecedores deste tipo de serviço estão cada vez mais atualizados e ao lado de seus clientes para adaptar os espaços de acordo com a demanda de cada empresa. Hoje, é possível contratar a utilização de uma ou duas estações de trabalho, mas também é possível adaptar um andar inteiro de 2 mil m² em questão de dias para a utilização exclusiva de uma única empresa ocupante.

Como corporações e grandes empresas vêm buscando cada vez mais aumentar a flexibilidade em seus portfólios imobiliários, nossa perspectiva é de que o mercado de espaços compartilhados continuará em ritmo de expansão ao longo desse ano e dos próximos em todo o mundo.

Assim como nas locações convencionais, é muito importante e necessário considerar alguns pontos relevantes à operação da empresa ao analisar uma ocupação em espaços flexíveis. Dentre outros aspectos, destacam-se a disponibilidade de recursos para investir no custo de operação, o prazo contratual, as projeções de crescimento da empresa, a necessidade de ter um espaço exclusivo, o tipo de operação, a confidencialidade e também o perfil da empresa e de seus clientes.

Para você se aprofundar ainda mais, leia o e-book Espaços Compartilhados, elaborado pela equipe de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL e acompanhe aqui no Panorama novos conteúdos sobre esse tema.

 

Julio Grings é especialista da área de Transações da JLL e participou recentemente do JLL Academy, evento anual que reúne as equipes de Transações da JLL nas Américas para discutir as principais tendências do setor.