Estruturas sustentáveis

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Brasil conquista destaque no ranking mundial de empreendimentos LEED – certificação que reconhece a implantação de medidas de preservação ambiental – e agora busca conscientizar proprietários de prédios já existentes sobre a importância da adoção dessas iniciativas.

Eficiência energética, utilização racional de água, aplicação de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretos. Processos que há alguns anos não faziam parte da realidade do país hoje são destaque. As iniciativas que minimizam os impactos ambientais conquistaram o setor imobiliário no Brasil. Uma das provas mais evidentes são os dados divulgados recentemente pelo Green Building Council Brasil – organização não governamental que visa impulsionar a indústria de construção sustentável no país –, revelando que, em 2012, 32 edifícios receberam a certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), quase o dobro do alcançado no ano anterior, correspondente a 17. A boa notícia é que 620 empreendimentos já estão registrados no sistema e receberão o selo se comprovarem o atendimento aos critérios mencionados acima.

Para os que ainda não conhecem, o sistema LEED foi criado pelo U.S. Green Building Council, sendo atualmente o maior selo de reconhecimento internacional e orientação ambiental de edificações do mundo. Utilizado em 130 países, a certificação oferece uma série de vantagens, a exemplo da redução dos custos operacionais (água e energia), melhora da qualidade interna (com o aumento do aproveitamento da luminosidade externa, diminuição do uso do ar-condicionado), valorização do imóvel, além do reconhecimento no mercado.

O consumo de energia é 30% menor, há também a diminuição de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além da redução em média de 9% no custo de operação do empreendimento”, explica Manoel Gameiro, presidente do Green Building Council Brasil.

Os avanços do Brasil nessa área colocam o país em quarta posição no ranking mundial de empreendimentos LEED, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

Estratégias verdes

Desde o surgimento dos chamados prédios verdes há cerca de 10 anos, nosso entendimento de construção e gerenciamento desses empreendimentos evoluiu de forma significativa”, diz Franz Jenowein, diretor de Serviços de Energia e Sustentabilidade da matriz americana da JLL, no mais recente relatório Perspectivas da Sustentabilidade Global, divulgado pela empresa, que ressalta que o fato de os programas de energia e sustentabilidade contribuírem para os negócios e o meio ambiente incentivou a maioria dos proprietários de imóveis comerciais a investir em estratégias verdes em 2011, sem recorrer, porém, a financiamentos.

Os proprietários resolveram optar por projetos de preços módicos, como a reforma da parte de iluminação e do controle de temperatura. Eles querem saber de antemão que cada centavo gasto trará um retorno financeiro, não somente em economia de energia, mas também sobre o valor do prédio”, justifica Dan Probst, presidente da área de Serviços de Energia e Sustentabilidade da matriz americana da JLL, no relatório.

Questão cultural

No Brasil, a situação não é diferente. Os números de certificação LEED são animadores, mas ainda restritos aos novos empreendimentos, revelando que parte dos proprietários e locatários do país está consciente da importância e dos diferenciais competitivos de uma estrutura sustentável. Para Frederico Vasconcellos, diretor de Serviços de Engenharia da JLL, a demora na introdução desse conceito em prédios já existentes no país é uma questão cultural. “Os proprietários precisam estar cientes de que a certificação LEED é um diferencial de mercado, sendo vista com bons olhos. Esse é, certamente, um investimento que oferece retorno”, reforça, ao mencionar que os cortes de gastos no orçamento podem ser resolvidos com a implantação de soluções sustentáveis. “O cliente já considera esse quesito uma vantagem no custo operacional”.

Muitos locatários, aliás, já se preocupam com essa questão, uma vez que as iniciativas sustentáveis são parte de sua cultura organizacional. “É preciso considerar que muitas empresas contam com uma área interna de Sustentabilidade, optando por uma infraestrutura que corresponda a essa realidade”, acrescenta o executivo. Segundo ele, hoje o mercado dispõe de produtos variados – a exemplo de lâmpadas, sensores, sistemas remotos de controle de ar condicionado, entre outros –, a um custo reduzido, o que facilita sua implantação gradual.

O setor imobiliário no Brasil tem se destacado por meio do grande aumento das construções sustentáveis. Hoje todo resíduo de obra pode ser reaproveitado. A sustentabilidade conquistou o país, sendo uma das principais tendências para o futuro dos prédios já existentes”, acredita.

Andrea Assis, gerente de Infraestrutura da área de Gerenciamento de Propriedades da JLL, acrescenta que os prédios localizados nas regiões da Avenida Paulista e Faria Lima, em São Paulo, são oportunos para aplicação das iniciativas LEED e que, aos poucos, essa tendência será parte da realidade de inúmeros empreendimentos. “Contamos com um prédio já existente e certificado LEED em nossa lista de clientes, na região de Alphaville (SP). Esse é apenas o começo”, adianta.