Eventos esportivos no Rio vão marcar a cidade para sempre

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A JLL mapeou as grandes heranças do evento para quem vive, trabalha e faz negócios no Rio de Janeiro. Entre eles podem ser citados os investimentos em infraestrutura, mobilidade e transporte público, a revitalização de áreas antigas da capital fluminense e a construção e ampliação das instalações esportivas públicas.

Não serão apenas as lembranças da festa, da alegria, da superação dos esportistas e da emoção das torcidas. As maiores competições esportivas do mundo, realizadas em agosto e setembro no Rio de Janeiro, vão deixar outras marcas positivas na cidade. A JLL mapeou as grandes heranças do evento para quem vive, trabalha e faz negócios no Rio de Janeiro. Entre eles podem ser citados os investimentos em infraestrutura, mobilidade e transporte público, a revitalização de áreas antigas da capital fluminense e a construção e ampliação das instalações esportivas públicas.

Nos segmentos de negócios em que a JLL atua, também há contribuições tangíveis importantes, de acordo com a pesquisa.

Segmento de Hotéis

A oferta de quartos cresceu 50% nos últimos seis anos, considerando que os investimentos na expansão da rede começaram antes da Copa do Mundo de 2014.

Desde 2015, entraram em operação 29 novos hotéis, que totalizam 182 hotéis na cidade no 1ºtrimestre de 2016. Com a disponibilização de 9.965 quartos, o total de unidades chegou a 29,1 mil quartos, a segunda maior oferta hoteleira do país, perdendo apenas para São Paulo.

A rede não apenas cresceu, mas se qualificou. A Barra da Tijuca tornou-se o maior polo de hospedagem, assumindo o primeiro posto, que até 2014 era de Copacabana. Redes de renome como Hilton, Hyatt e Trump abriram hotéis na cidade, colaborando para que a oferta de melhor padrão torne-se a maior do País.

As redes Accor e Windsor se destacaram pelo lançamento de sete empreendimentos, que somam 1.662 quartos. Entre os projetos recém-entregues destacam-se o hotel econômico Zii Hotel Botafogo, que entrou pela Rede 2.0 Hotéis e tem um plano de expansão intenso pelo país; Emiliano RJ, hotel de luxo que conta com 60 quartos, em Copacabana; e o Yoo2 by Intercity, lifestyle hotel projetado por Philippe Starck para a Praia de Botafogo. O Trump Collection, outro hotel de luxo, fica na Barra da Tijuca.

O quatro-estrelas Hotel da Mídia, parte do complexo de mídia instalado no Parque
Olímpico
, se tornará comercial após o evento, com uma torre de 22 pavimentos, cerca de 35 mil m² de área construída e 404 quartos, área de lazer, piscina, academia e centro de convenções.

Segundo a pesquisa, com capacidade de conciliar negócios, lazer e eventos, a hotelaria carioca conseguiu atingir as melhores performances do país nos últimos anos. Em 2013, a tarifa média estava em R$ 500 a diária, e a taxa de ocupação, acima de 70%. O Rio era um dos destinos mais caros (e mais desejados) do mundo. A entrega de novos hotéis desde a Copa do Mundo e a crise político-econômica estão mexendo nesse cenário, deixando o RevPar (revenue per available room / receita por quarto disponível) no mesmo nível de 2011-2012. Ainda assim, o indicador acumulou alta de 6% ao ano entre 2009-2015, acima de outras capitais.

Se, por um lado, a crise dos setores de óleo e gás faz cair a demanda, por outro, a desvalorização do real e o aumento da oferta beneficiam o turismo ao tornar o Brasil um destino mais atraente para estrangeiros. Outra herança do crescimento da rede hoteleira é a consequente geração de empregos e capacitação de mão de obra.

Segmento de Escritórios

Os jogos realizados no Rio de Janeiro contribuíram também para ampliar a oferta de edifícios de alto padrão para escritórios. Alguns empreendimentos construídos visavam, num primeiro momento, servir como áreas de apoio ao evento. Após seu encerramento, serão desmobilizados e incorporados ao estoque disponível.

Um desses empreendimentos é o complexo de quase 102 mil m2 de área construída que abriga o Centro Internacional de Transmissão ou International Broadcasting Center (IBC) e o Centro Principal de Mídia ou Main Press Center (MPC). O investimento foi feito por meio de um parceria público-privada (PPP), envolvendo o governo municipal do Rio e a Concessionária Rio Mais.

Durante os jogos, no IBC funciona o centro de transmissão das competições e é destinado às emissoras de TV e rádio. Tem no total 85 mil m2 e seu uso é misto (galpão e escritório). Já o MPC, com 17 andares e 27 mil m2, é centro de operações da imprensa escrita nacional e internacional. Após o encerramento da Paralimpíada, o IBC e o MPC devem passar por reformas e 33 mil m2 deverão ser comercializados como escritórios.

Essa área é computada como estoque de alto padrão na região da Barra da Tijuca. A ocupação imediata desses edifícios causou um efeito distorcido nas movimentações do mercado imobiliário carioca. Segundo a pesquisa, essa área foi computada na absorção bruta e representou 51% desse indicador, afetando também a absorção líquida, que apresentou valor positivo de 1,5 mil m2, destoando dos últimos trimestres, em que a absorção líquida da cidade foi negativa.

Com a devolução desses espaços após o evento, a taxa de vacância subirá de 27,7% para 35,2% na Barra da Tijuca – área que representa o segundo maior estoque de escritórios de alto padrão do Rio (com 17,1% do total) e apresenta a maior taxa de vacância das regiões consolidadas (com 27,7%). Nesse indicador, a Barra da Tijuca fica atrás apenas do Porto Maravilha, que é uma região em consolidação e possui em seu estoque apenas quatro edifícios, dos quais dois estão completamente vagos.

Segundo a pesquisa da JLL, ao facilitar o acesso, as novas redes de transporte coletivo podem ser um fator favorável para a Barra da Tijuca, que é uma região secundária na cidade e uma das mais impactadas pela crise do setor de óleo e gás.

Para a JLL, o mercado continuará desafiador, com elevada disponibilidade de edifícios de escritório de alto padrão decorrente de alto volume de entregas nos últimos anos e da devolução de espaços em razão do fechamento de filiais e redução de área das empresas. Esse cenário também favorece os locatários, que podem se beneficiar da maior flexibilidade na negociação com os proprietários dos imóveis que já ocupam ou daqueles que desejam para se mudar.

É um bom momento para consolidações ou mudanças qualitativas. Considerando também a desvalorização do real, é ainda uma ocasião propícia para investimento estrangeiro na aquisição de imóveis.

Crédito da foto: Shutterstock / rocharibeiro