Fortalecimento de serviços puxará demanda por hospedagem na América Latina

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Os dados fazem parte do mais novo relatório publicado pela JLL, que toma como base apenas a chamada oferta relevante e qualificada.

A demanda por hospedagem na América Latina vai ganhar um importante incremento ao longo da próxima década. Impulsionados pela mudança de perfil econômico, com o setor de serviços passando a ter cada vez mais peso na formação de seu Produto Interno Bruto (PIB), os quatro principais países do eixo – Brasil, México, Peru e Colômbia – passarão por esse movimento.

Somados, esses mercados podem sustentar 425.900 novos quartos de hotéis no período compreendido entre 2012 e 2022. Isso significa uma expansão anual da oferta de 5,2% e crescimento absoluto de 65%. Os dados fazem parte do mais novo relatório publicado pela JLL, que toma como base apenas a chamada oferta relevante e qualificada. Ela diz respeito a quartos em hotéis afiliados a cadeias nacionais ou internacionais e estabelecimentos independentes com 25 ou mais quartos, assim como aqueles que tenham classificação mínima de duas estrelas.

Mesmo com cada um desses países seguindo dinâmica e ritmo próprios, quando o tema é aumento da demanda por hotéis de bom nível, há mais semelhanças do que diferenças, afirma Ricardo Mader, vice-presidente executivo da área de Hotéis & Hospitalidade da JLL. “Essas nações vêm passando por uma rápida transformação que terá como resultado um PIB de serviços na casa de 70% a 80% nos próximos anos e que representará um forte impulso no mercado doméstico na procura por hotéis.”

Expansão pulverizada

Outro fator que deve fazer com que os países latino-americanos citados registrem alta expressiva da demanda hoteleira é o maciço investimento em infraestrutura que vem sendo feito por cada um deles. Um dos principais efeitos desses investimentos é o desenvolvimento de polos em cidades afastadas dos grandes centros urbanos.

O aumento da importância do setor de serviços na economia dos países da América Latina tem feito surgir mercados secundários e até terciários com muito potencial para a indústria hoteleira”, observa Mader.

Segundo o estudo, as 39 áreas metropolitanas brasileiras contam com 40% da população total do país e representam 80% da oferta total de hotéis. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, têm, em conjunto, apenas 25% dos quartos.  Quase metade (42%) da demanda projetada até 2022 está concentrada em cidades com menos de um milhão de habitantes.

De acordo com o levantamento, esses locais têm demanda potencial para absorver 80 mil novos quartos, sem considerar os mais de cinco mil já em estágio de desenvolvimento. Para ilustrar o fenômeno, além de cidades como São José e Campinas, no interior de São Paulo, e Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, o executivo cita o caso de Parauapebas, no Pará, que abriga uma das maiores minas de ferro do mundo, controlada pela Vale. “O município vem crescendo demais, puxado pela mineração e outros investimentos privados, e o setor de serviços vem se desenvolvendo na esteira disso para acompanhar, o que faz crescer a necessidade de bons hotéis.

Clay Dickinson, diretor da área de Hotéis & Hospitalidade da JLL para a América Latina, observa que, em países com mercados maduros, a infraestrutura também teve um papel decisivo no desenvolvimento de atividades de serviços – e no aumento da demanda hoteleira.

Estados Unidos e Reino Unido passaram por esse estágio há várias décadas. Os EUA tinham algumas cidades que eram centros completamente desconectados do resto do país e nos quais o crescimento da classe média e o desenvolvimento do setor de serviços contribuíram para aumentar o número de viagens de trabalho. Com isso, houve a necessidade de aprimorar a infraestrutura”, exemplifica.

A JLL calcula que, até 2022, o Brasil ganhará 192.700 quartos de hotéis, aumento de 71,2% sobre a oferta relevante atual.