Grandes cidades adotam conceito de resiliência com o objetivo de evitar os efeitos causados pelas catástrofes naturais

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Pesquisa da JLL aponta as principais medidas adotadas mundialmente.

 

Usado para identificar casos de superação de dificuldades e desafios que resultam em fortalecimento diante de situações adversas, o conceito de resiliência – originário da Física – está relacionado à capacidade de flexibilidade de objetos e materiais voltarem ao estado natural após sofrerem pressão, como uma mola, por exemplo. No dia a dia não é somente às experiências pessoais que o termo se refere. Cidades podem, e devem também se tornar resilientes, aprendendo a lidar e a evitar possíveis efeitos de uma catástrofe natural.

Foi apoiada nessa questão que a JLL recentemente divulgou os resultados de seu estudo realizado com o propósito de identificar medidas capazes de tornar a infraestrutura de grandes cidades mais resistentes às mudanças climáticas. Segundo Dan Probst, diretor da área de Serviços de Energia e Sustentabilidade da JLL nos Estados Unidos, as cidades podem aprender umas com as outras a como enfrentar de forma eficiente os efeitos das condições extremas de mudanças climáticas.

Isso significa blindar as cidades em todos os aspectos possíveis, como, por exemplo, criando proteção contra enchentes de acordo com o aumento do nível do mar, assim como repensar toda a infraestrutura, desde redes elétricas, fornecimento de alimentos e serviços de saúde, telecomunicações e transporte, até água e gerenciamento de resíduos”, completa Probst.

Não são poucos os casos de situações extremas, vivenciados por grandes centros mundiais. Basta avaliar as baixíssimas temperaturas registradas recentemente nos Estados Unidos e em cidades da Europa, durante o inverno e, no outro extremo, as enchentes ocorridas em inúmeras áreas do Brasil, como no estado do Espírito Santo, por conta das altas temperaturas do verão de 2014. Dados da pesquisa – disponível em Perspectiva de Sustentabilidade Global – revelam exemplos desenvolvidos em Nova York e outras metrópoles mundiais, alinhados a quatro temas: importância do aumento da resiliência de acordo com o crescimento populacional; proteção contra enchentes; comunidades sustentáveis; e intercâmbio de ideias entre cidades.

Para prevenir enchentes, por exemplo, em Mumbai – uma das maiores cidades da Índia, os principais rios foram alargados e aprofundados. Também se investiu na construção de novas estações de bombeamento, capazes de desviar a água das tempestades para o mar, além de instalar medidores de fluxo rio acima para soltar o alerta de enchente, antecipadamente. Os Países Baixos, por sua vez, buscam alternativas mais eficazes do que seus tradicionais diques, represas e barragens. Na Itália, Veneza retrata bem essa nova realidade com a instalação de um sistema de barreira móvel contra entrada de água durante a ocorrência de marés altas.

Enquanto os Estados Unidos mantêm uma iniciativa chamada 2030 Districts – que reúne micro comunidades capazes de auxiliar na prevenção e resposta a eventos ocasionados pelas mudanças climáticas –, o grupo de liderança climática C40 Cities reúne governantes de grandes cidades mundiais para que compartilhem as melhores práticas sustentáveis.

Especificamente no Brasil, ações isoladas tentam conter os principais impactos climáticos, caracterizados, principalmente, pela alta incidência de raios – são 100 milhões que atingem o território nacional, por ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – e de ocorrência de temporais, que provocam enchentes na região Sudeste. Frederico Vasconcellos, diretor da área de Facilities, da JLL, menciona os investimentos realizados nas grandes cidades para a construção de piscinões, aprofundamento da calha de rios assoreados, e também para o monitoramento de áreas de periferia situadas nas cabeceiras de rios, com o intuito de prevenir catástrofes diante das fortes chuvas. “Vale lembrar que nas cidades resilientes os recursos destinados à infraestrutura devem ser contínuos”, ressalta.

Outra situação bem comum são as quedas no sistema de energia, os conhecidos “apagões”. O episódio ocorrido no início de fevereiro, deixou, aproximadamente, três milhões de pessoas sem luz, em 11 estados do Brasil. “Nos principais centros, já existem religadores automáticos instalados em locais com grande queda de energia, que agilizam o reestabelecimento do serviço. Mas quando o assunto se refere à malha energética nacional, a situação é mais crítica, pois ainda existem vários pontos pendentes de interligação”, afirma Vasconcellos, ao mencionar que a adoção do conceito smart grid é uma tendência concreta, mas ainda está em estágio inicial no país.

É importante mencionar que no conceito de cidades sustentáveis, a resiliência é um ponto importante para a manutenção e eficiência de seus três pilares: desenvolvimento ambiental, social e econômico. Percebemos um investimento cada vez maior em sistemas de geração própria e redundância para áreas críticas. A legislação brasileira tem se flexibilizado e permitido a contribuição da geração distribuída de energia pelo setor privado no grid (rede de distribuição do país), o que contribui para a Matriz Energética Nacional”, acrescenta o executivo. Segundo ele, dentro da realidade do mercado imobiliário muitas medidas preventivas já são adotadas.