JLL participa de comitê que desenvolve estudos e sistemas para eficiência energética em edificações

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No contexto de edificações, é considerado eficiente o edifício que proporciona excelentes níveis de serviço aos seus ocupantes, como conforto térmico e iluminação, com baixo consumo de energia.

O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) – é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil no Interesse Público) cuja missão é contribuir com os agentes da cadeia de construção para a adoção de práticas sustentáveis.

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O CBCS é um ativo interlocutor governamental para a discussão, estruturação e implantação das políticas públicas que definem o ritmo da introdução dos preceitos da sustentabilidade na indústria da construção, bem como os compromissos industriais e sociais decorrentes.

O comitê temático de energia (CT-Energia)  – do CBCS promove, desde 2013, o projeto de Desempenho Energético Operacional (DEO), que desenvolve conhecimento, indicadores e técnicas para a avaliação e melhoria de desempenho energético de edificações na fase de uso. Esse projeto é coordenado pelo professor Roberto Lamberts, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e liderado por Edward Borgstein, mestre em engenharia de energia e meio-ambiente pela Universidade de Cambridge e sócio-fundador da Mitsidi Projetos.

Esse comitê conta com diversos parceiros e participantes de grandes empresas, entre elas a JLL (representada por Evaldo Pisani, gerente técnico da área de Gerenciamento de Propriedades), da academia, da cooperação internacional e do setor público, que se reúnem na USP para desenvolver esses estudos.

Panorama entrevistou Edward Borgstein a respeito desses estudos. Acompanhe:

O que significa ser eficiente energeticamente?

No contexto de edificações, é considerado eficiente o edifício que proporciona excelentes níveis de serviço aos seus ocupantes, como conforto térmico e iluminação, com baixo consumo de energia.

Pode nos explicar como funcionarão esses sistemas em desenvolvimento? E em quais prédios esse sistema (ou protótipo) está sendo testado?

Dois sistemas de avaliação de desempenho estão em desenvolvimento ou já em fase de utilização: Benchmarking e Diagnósticos energéticos.

Benchmarking é uma avaliação preliminar, que permite um levantamento rápido para identificar o nível de eficiência de um edifício e classificar seu nível de desempenho energético, comparado com o desempenho típico de edifícios do mercado e comparado com seu potencial de melhoria. Os benchmarks desenvolvidos pelo CBCS incorporam questões importantes como densidade de ocupação, clima local, área de estacionamento e consumo de datacenters. E os que já foram desenvolvidos estão disponíveis através da plataforma http://benchmarkingenergia.cbcs.org.br/.

Diagnósticos energéticos são a próxima fase de avaliação. Depois de descobrir que seu edifício tem potencial de melhoria, é necessário a realização de uma visita técnica por profissionais qualificados para mapear os consumos de energia e elencar as oportunidades de medidas de conservação de energia. Para cada medida são estimados o custo de implementação, a economia anual de energia e o retorno financeiro da implementação. Isso permite a tomada rápida de decisão de implementação. O CBCS publica metodologias, especificações e estudos de caso em diagnóstico energético e junto ao Procel realiza treinamento de auditores.

Quais os principais resultados já observados nos estudos com esses sistemas?

Todos os edifícios avaliados mostram potencial significativo de melhoria de desempenho. Diversas grandes organizações já estão implementando sistemas de gestão de energia utilizando os benchmarks. Os edifícios que receberam diagnósticos energéticos estão aperfeiçoando a sua operação e revisando os equipamentos para conseguir economias importantes.

Elevadores, sistema de ar-condicionado, uso de lâmpadas, a própria arquitetura, tudo isso influencia no consumo de energia elétrica de um edifício. Esses sistemas abrangem a análise de todos esses sistemas do prédio?

Sim. Tanto os benchmarks como os diagnósticos energéticos abrangem todos os consumos significativos de energia dentro de um edifício.

O sistema está em vias de lançamento no mercado. Será lançado como um produto de uma empresa ou de alguma instituição do governo? Ou será um lançamento com a chancela da USP?

O CBCS já lançou a versão beta da plataforma de benchmarking referenciado em cima. Também já realizou treinamento de dezenas de auditores de energia. A maioria dos trabalhos está sendo realizado em cooperação com o programa Procel, que passará a utilizar os recursos e metodologias técnicas no seu programa nacional. Está sendo estudada a possibilidade de um tipo de etiquetagem ou certificação Procel para edifícios na fase de operação. Recursos de eficiência em prédios públicos estão sendo lançados junto ao Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O sistema deverá ter um selo do Inmetro?
Isso ainda não está definido.

O que o senhor acha relevante acrescentar?
A participação de parceiros do setor privado, como administradoras e proprietários de edifícios, tem sido fundamental. Tanto no fornecimento de dados sigilosos e edifícios pilotos para apoiar o desenvolvimento das ferramentas, como na participação das reuniões do CT Energia para dirigir e definir o programa, a participação da JLL tem sido fundamental ao sucesso deste programa.

Foto: Shutterstock – Adam Vilimek