JLL aponta perspectivas de longo prazo para a África

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As vinte cidades africanas mais promissoras para se investir até 2020.

Estátua de Nelson Mandela, em Johannesburgo na África do Sul| Foto: Shutterstock

Estátua de Nelson Mandela, em Johannesburgo na África do Sul| Foto: Shutterstock

O continente africano surge como um dos mais promissores no horizonte de longo prazo quando o tema é desenvolvimento do mercado imobiliário comercial.

Um estudo recente da JLL identificou 20 cidades africanas que se destacam por apresentar grande potencial de expansão até 2020.

O levantamento leva em consideração fatores como estimativa de crescimento do varejo, sinais econômicos positivos e o fortalecimento da atividade de terceirização corporativa.

O ponto fraco fica por conta da necessidade de aperfeiçoar o ambiente de negócios e a regulação locais.

Juntas, as cidades – a maior parte delas localizada em apenas quatro países – têm população urbana de cerca de 70 milhões de habitantes.

A lista é encabeçada por Cairo, no Egito, a mais populosa da África e alvo de construtoras, mesmo com o alto grau de incertezas embutidas no cenário político e econômico.

Em seguida vêm as cidades do Cabo, Durban e Johannesburgo, localizadas naquele que é considerado o único mercado de fato transparente para quem faz negócios na região – o da África do Sul.

Outros destaques são Casablanca, no Marrocos, maior cidade da região do Magrebe e polo emergente de terceirização, e a cidade nigeriana de Lagos, importante distrito comercial da segunda maior economia africana e cujo Produto Interno Bruto (PIB) tem avançado na casa de 7%.

Para Mark Bradford, diretor da JLL para a África do Sul, depois de puxar o varejo global por uma década e meia, Brasil e China passarão, em breve, o bastão para os africanos.

Isso se deu porque esses países possuíam o equilíbrio certo entre a oportunidade de crescimento do consumo e adequada infraestrutura operacional que atraía os varejistas. Agora, sentimos que chegou a hora de a África entrar em cena e ocupar o centro do palco nos próximos 15 anos.”

Com o continente em alta, um movimento que começa a ganhar força é o de ampliação das atividades de terceirização corporativa.

Na avaliação de Christian Ulbrich, CEO da JLL para a Europa, Oriente Médio e África, polos desse tipo de atividade como Johannesburgo, Cidade do Cabo, Durban, Accra, Port Louis, Nairóbi, Casablanca, Túnis, Cairo e Alexandria devem beneficiar-se dessa tendência.

A internacionalização de atividades é uma estratégia empresarial já consolidada que pode ajudar a otimizar a produtividade, os recursos de mão de obra e a receita por meio do acesso a mercados em crescimento. Embora não livres de risco, empresas dos setores de serviços financeiros, bens de consumo, farmacêutico, telecomunicações e energia continuam mirando as oportunidades na África.”

Veja lista completa das cidades mapeadas pela JLL:

Angola: Luanda
Egito: Alexandria, Cairo
Etiópia: Addis Ababa
Gana: Accra
Quênia: Mombasa, Nairóbi
Marrocos: Casablanca, Marrakesh, Rabat, Tânger
Moçambique: Maputo
Nigéria: Abuja, Lagos
África do Sul: Cidade do Cabo, Durban, Johannesburgo
Tanzânia: Dar es Salaam
Tunísia: Túnis
Zâmbia: Lusaka

Em busca de maior transparência

Dispostos a melhorar o ambiente de negócios para atrair mais recursos, algumas cidades africanas têm se esforçado no sentido de ampliar a transparência.

A África do Sul destaca-se do restante do continente, tendo melhorado continuamente nos últimos dois anos, a ponto de ocupar agora a 21ª. posição”, observa Jeremy Kelly, diretor de Pesquisa Global da JLL e autor do Índice de Transparência Global.

Botsuana, Ilhas Maurício e Quênia também mostram sinais de melhora. No entanto, a maioria dos países subsaarianos, tais como Nigéria e Angola, ainda dá mostras de baixa transparência.

A expectativa é que esses mercados mostrem avanço quando forem introduzidos controles jurídicos e operacionais mais sólidos, mitigando eventuais preocupações de investidores e empresas com as questões operacionais.