Mais próximo do céu

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Inaugurado no final da década de 20, o Edifício Martinelli impulsionou a verticalização de São Paulo.

 

O Edifício Martinelli, inaugurado em 1929, na cidade de São Paulo, foi considerado o primeiro arranhacéu da América Latina. Era o sonho de Giuseppe Martinelli, imigrante italiano que chegou ao Brasil com o objetivo de prosperar e construir um respeitável patrimônio.

Decidido a deixar um legado, resolveu construir o edifício mais alto da cidade. Para isso contou com a ajuda do arquiteto húngaro William Fillinger, da Academia de Belas Artes de Viena. O projeto inicial consistia em 12 andares numa época em que a capital paulista nem sonhava com prédios com mais de dez andares.

Obstinado, Giuseppe Martinelli estava decidido a alcançar a barreira dos 100 metros de altura (ou 30 andares). Assumiu o projeto e continuou a acrescentar andares no edifício, causando polêmica entre admiradores e críticos e contrariando a legislação vigente que garantia a segurança do prédio com a construção de até 25 andares. A fim de atingir o seu objetivo, construiu sua residência de 5 andares para provar que, apesar da altura, era seguro.

O edifício impressionava pela estrutura alta e expressivamente larga e pelo luxuoso acabamento de suas 1.267 dependências. Tinha portas de pinho de Riga, da Letônia, escadas de mármore de Carrara, da Itália, papéis de parede belgas, elevadores suíços e louças inglesas: o que havia de melhor naquele tempo. Possuía reentrâncias para ventilação e iluminação, além de apresentar divisões básicas da arquitetura clássica: embasamento, corpo e coroamento.”

Por 18 anos, o Martinelli permaneceu como o mais alto da cidade, perdendo o título para o edifício vizinho, do Banco do Estado, em 1947. Passou por três grandes fases: de 1929 a 1945 foi um edifício de escritórios, com salões de festas e hotel; de 1945 a 1975 passou por uma fase de degradação, quando foi ocupado por comércios diversos e utilizado, inclusive, como residência; e a partir de 1975, desapropriado pelo Prefeito Olavo Setúbal, sofreu grande reforma de revitalização e passou a ser ocupado majoritariamente pela Prefeitura.

Nos dias de hoje

Com 82 anos de idade, o Edifício Martinelli possui uma média de 1.700 ocupantes e recebe cerca de 800 visitantes por dia. A Prefeitura é a maior proprietária e ocupa 20 andares com as Secretarias de Habitação, Controle Urbano e Desenvolvimento Urbano, entre outros órgãos – e conta ainda com uma agência bancária, um sindicato e dez lojas.

A administração do prédio é própria e possui uma equipe de 52 pessoas entre administração, manutenção, segurança, bombeiros, ascensoristas e recepcionistas. Recentemente, o terraço, fachada, portas e janelas foram restaurados e obras para substituir o piso hidráulico mantiveram sua forma e cor originais.”

O Edifício Martinelli possui inegável valor histórico (foi tombado pelo Patrimônio Histórico em 1992), mas também preserva uma finalidade comercial. Possui área locável total de 34,4 mil metros quadrados. Localizado no centro da cidade, tem entradas pelas ruas São Bento, Líbero Badaró e Avenida São João.

Para conhecer de perto sua arquitetura e respirar um pouco os ares de décadas passadas, é possível agendar visitas monitoradas ao terraço às segundas, terças, sextas-feiras e sábados pelo telefone (11) 3104-2477.