Manual orienta empresas que buscam inclusão de PCD pela via da contratação

Leitura de 5min

Lançado recentemente, material foi produzido pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho em parceria com a Rede Empresarial de Inclusão Social, da qual participam mais de 80 empresas, entre elas a JLL.

Um manual com o objetivo de orientar, estimular e engajar as empresas no que diz respeito à inclusão social de pessoas com deficiência pela via da contratação.

Foi com essa intenção que nasceu o áudio-livro “A inclusão de pessoas com deficiência – o papel dos médicos do trabalho e de outros profissionais de saúde e segurança”.

Lançado recentemente, o material foi produzido pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), em parceria com a Rede Empresarial de Inclusão Social, da qual participam mais de 80 empresas, entre elas a JLL, que colaborou com um case.

O trabalho, cujo conteúdo pode ser acessado gratuitamente pela internet, foi liderado por Marcia Bandini, médica do trabalho e diretora de divulgação da Anamt.

Nesta entrevista ao Panorama, ela fala sobre como o áudio-livro pode ser um aliado das empresas no processo de inclusão.

Como e quando surgiu a ideia de produzir o áudio-livro?

Numa das reuniões da Rede, na qual fui convidada para falar justamente sobre o papel do médico no trabalho no processo de inclusão, pelo trabalho, de pessoas com deficiência. O médico pode, costumo dizer, ser um grande facilitador ou uma grande barreira nesse sentido. Por isso o livro – e depois o áudio-book – nasce com conceito de um manual, para orientar e mostrar formas de viabilizar essa inclusão, provocando envolvimento e engajamento dos demais profissionais.

Quanto tempo foi necessário para produzir o material?

O trabalho levou um ano, pois não se trata apenas de compilar um monte de leis sobre o assunto. Essa é a parte mais fácil. Mas costurar tudo isso num formato e num tom que façam sentido para profissionais e médicos foi o trabalho maior. Afinal, informação é apenas um dos lados do trabalho. É preciso engajar os profissionais para que eles sejam facilitadores da inclusão. Tivemos muito cuidado, por exemplo, com os cases, que tinham de ser reais sem ser piegas nem tratar a pessoa com deficiência como coitadinha.

Qual foi a participação da Rede de empresas nesse processo? De que formas as companhias colaboraram?

As empresas foram muito parceiras. As reuniões que a Rede promove não são só um encontro de troca de experiências e de apresentação de cases. De verdade, o objetivo é tentar encontrar caminhos juntos e trazer gente de fora, o que ajuda a pensar fora da caixinha. Essa foi uma iniciativa muito importante da Rede.
Como nasceu a Rede?
Nasceu mais recentemente, mas veio de uma iniciativa mais antiga, liderada pela Serasa, como uma rede de empregabilidade. Depois, em 2012, avançou para um modelo de inclusão proposto pela ONU –Organização das Nações Unidas.

A que público se destina o áudio-livro?

Além dos médicos e profissionais de segurança do trabalho, aos profissionais de Recursos Humanos, representantes dos próprios trabalhadores e ao público em geral. Para atingir e compartilhar com todo mundo, tanto o áudio-book como o e-book são de domínio público. Podem ser baixados de graça na internet.
A versão digital está disponível na área de downloads no site da Rede.

O material traz orientações sobre melhores práticas na contratação e tratamento de profissionais com deficiência?

Sim. O material fala das práticas que são mais usuais hoje, mas não refletiu e captou apenas essa realidade. Também fizemos intervenções e recomendações de melhores práticas para as empresas. A Rede respeitou e acolheu essas recomendações.

Como o médico pode auxiliar o empregador a abrir as portas das organizações e acolher adequadamente trabalhadores com deficiência?

O médico precisa ajudar o empregador e informá-lo sobre potenciais tecnologias e adaptações que a empresa precisa fazer no processo de trabalho propriamente dito.