Mercado carioca de escritórios de alto padrão deixa onda de retração para trás

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Relatório First Look da JLL mostra que, depois de quatro anos em queda, números voltaram a melhorar no Rio de Janeiro

Em 2018, o mercado de locação de escritórios de alto padrão no Rio de Janeiro apresentou a maior absorção líquida em quatro anos, de 53,6 mil m², segundo relatório First Look, da JLL. O número indica o saldo entre as ocupações e devoluções, que caíram 67% em relação a 2017. André Romano, da área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL, constata um sinal de recuperação do mercado.

Os proprietários, sobretudo os mais profissionais, estão fazendo o possível para viabilizar locações. Estão investindo na atração de bons inquilinos, fazendo contratos mais amarrados, pois sabem que, a longo prazo, haverá aumento de preço, uma vez que o mercado é cíclico”, afirma.

Romano diz que as grandes devoluções já foram feitas e agora são esperadas devoluções menores, ligadas a mudanças de endereço. “A onda de retração já passou. Daqui para a frente, o mercado de escritórios de alto padrão deve crescer no Rio de Janeiro”, avalia.

O otimismo se justifica: há um volume negociado de 133 mil m² que deverá ser ocupado em 2019, com destaque para as regiões do Centro e do Porto Maravilha, que receberão 90% dessa área negociada.

Vacância também demonstra retomada

A taxa de vacância encerrou o ano em 35,8%, queda de 1,1 ponto percentual em relação a 2017, após quatro anos de intenso aumento. Apesar desse respiro e da expectativa de melhora para 2019, o número ainda deve demorar a alcançar um patamar de maior equilíbrio entre proprietários e inquilinos, de acordo com Romano, pois há muito espaço vago.

O preço pedido médio de locação foi de R$ 84/m²/mês em 2018 e segue estável desde 2017, apesar de haver um descolamento entre o preço pedido e o fechado, sobretudo nas regiões do Centro e do Porto. A flexibilização das negociações, no entanto, sustentou o aumento dos novos negócios e da absorção líquida, culminando na queda da taxa de vacância.

Os dados mostram sinais de recuperação da economia. É possível perceber um aumento da confiança das empresas e início das movimentações”, afirma o especialista da JLL.

Veja outros destaques do relatório First Look – Escritórios de Alto Padrão no Rio de Janeiro:

  • 4,4 mil m² foram entregues no 4º trimestre de 2018;
  • O único edifício entregue no trimestre foi o Corporate Seelinger, na Barra da Tijuca, representando um acréscimo de 1% na área total da região. O empreendimento foi inteiramente ocupado por um coworking;
  • 37,9 mil m² foram ocupados no 4º trimestre;
  • A absorção bruta cresceu 30% no último trimestre em relação ao anterior. Barra da Tijuca e a Zona Sul somaram uma área de 19 mil m², representando mais de 50% de todas as ocupações. As regiões, porém, não se apresentam como tendências, pois também há muitas empresas deixando o local, segundo Romano.

Clock imobiliário

O clock é um diagrama que ilustra o momento do ciclo imobiliário corporativo, indicando tendências mais favoráveis para ocupantes (quadrantes da direita) ou para os proprietários (quadrantes da esquerda). Confira abaixo:

clock

Conforme mostra o clock, o mercado carioca tende a continuar a reagir, apesar de ainda apresentar desequilíbrio. Após quatro anos em queda, percebe-se uma desaceleração, amenizando, aos poucos, a taxa de vacância e aumentando a absorção líquida. Os preços também devem estabilizar.