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José Victor Cardim, gerente da área de Representação de Ocupantes da JLL | Foto: Victor Dragonetti

José Victor Cardim, gerente da área de Representação de Ocupantes da JLL | Foto: Victor Dragonetti

Podemos melhor compreender o momento atual do mercado de escritórios de alto padrão no Brasil se analisarmos o passado recente, desde a crise do mercado imobiliário americano até os dias atuais. Durante o período de colapso dos bancos norte-americanos, entre o final de 2008 e o início de 2009, o processo de desenvolvimento de novos empreendimentos imobiliários em São Paulo sofreu uma retração abrupta, uma vez que o sentimento de incerteza promovido pela compressão das economias internacionais cercava as empresas de desenvolvimento do setor.

O Brasil, diferentemente de muitos países, presenciou uma rápida retomada e o crescimento voltou a atingir patamares iguais ou ainda maiores que o período pré-crise. No cenário interno, fatores tais como PIB em crescimento, elevação do país a grau de investimento, ascensão do Brasil entre os Brics, inflação sob controle, queda da taxa de juros e aumento do consumo das famílias tornaram o país atraente para investimentos em diversos setores, sobretudo no mercado imobiliário.

Com isso, após período de “estiagem” de projetos, houve uma enorme procura por terrenos pelas empresas do setor imobiliário e testemunhamos, portanto, uma “enxurrada” de novo estoque de escritórios em São Paulo, já que os ciclos de implantação estão sendo concluídos notadamente durante 2012 e 2013.

O mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo, o segundo maior da América Latina, que até o final de 2012 correspondia a três milhões de metros quadrados, espera receber ao longo do ano de 2013, cerca de 524,2 mil  metros quadrados. Só no ano de 2012, foram entregues 438 mil m² de novos escritórios de alto padrão na cidade, o quarto maior volume de novo estoque entre os principais mercados latino-americanos. Se considerarmos o volume previsto entre 2013 e 2014, São Paulo é o terceiro maior entre os principais mercados de escritórios mundiais, ficando atrás apenas de Xangai e Mumbai.

Esse grande volume nos indica, portanto, um movimento de acomodação do mercado. Num cenário de melhor equilíbrio entre oferta e demanda, os ocupantes passam a contar com um número maior de espaços disponíveis, maior diversidade de tipologias, formas de entrega e acabamentos, ou seja, esses ocupantes têm maior opção de escolha e, com isso, os proprietários tendem a oferecer maior flexibilidade no que diz respeito a descontos, períodos de carência e multas contratuais.

Assim, concluímos que o significativo volume de novo estoque entrante promoverá benefícios perceptíveis aos ocupantes, permitindo que haja maior equilíbrio nas relações entre proprietários e inquilinos.

José Victor Cardim (jose.cardim@am.jll.com) é diretor de Transações da JLL