Mercado de lajes corporativas continua saudável, diz CEO da JLL no Summit Imobiliário 2015

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Mesmo vivendo um ciclo de baixa, com redução de preços de locação e aumento da vacância, o mercado de lajes corporativas continua saudável, com uma adequada taxa de absorção de novos estoques.

Mesmo vivendo um ciclo de baixa, com redução de preços de locação e aumento da vacância, o mercado de lajes corporativas continua saudável, com uma adequada taxa de absorção de novos estoques. Essa é a avaliação do CEO da JLL Brasil, Fábio Maceira, no painel Lajes Corporativas, que fez parte da programação do Summit Imobiliário 2015.

O evento foi realizado no dia 14 de abril, no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, pelo Estadão em parceria com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Ao lado de Fábio Maceira e com mediação do jornalista Iuri Pitta, estavam os executivos Celina Antunes, da Cushman & Wakefield, e Walter Luiz Monteiro Cardoso, da CBRE Brasil.

Com indicadores que variam um pouco conforme a medição de cada empresa, os três executivos apresentaram dados sobre aumento de vacância no setor de lajes corporativas.

Reforçando o caráter cíclico deste mercado, Fábio Maceira destacou que os momentos mais difíceis de baixa de preços logo vão ficar para trás na capital paulista. Já o Rio – que é um mercado que depende muito dos setores de óleo e gás, cujos preços estão em queda – demanda maior atenção. Tanto no Rio como em São Paulo, o atual cenário favorece o locatário, que encontra proprietários mais flexíveis nas negociações de valores e carências, enquanto o empreendimento não atingir os 60% de ocupação.

Fábio Maceira lembrou que o segmento de prédios de alto padrão (A e AA) foi o que mais cresceu nos últimos anos, pela oferta de capital. Em São Paulo, o estoque existente chegou a 3,9 milhões de m2 e deve passar de 4,5 milhões de m2 até o fim deste ano.

Embora a taxa de vacância esteja em 23%, em razão do grande volume de entregas, a taxa de absorção bruta, que é a mais importante, continua saudável, mostrando que o mercado está ativo”, destacou o CEO da JLL.

Outro sinal importante apontado por Fábio Maceira é que, desde 2003, o spread obtido pela locação de imóveis é positivo em relação a outros tipos de investimentos. “Isso confirma que investir em imóveis corporativos é um ótimo negócio, com uma boa rentabilidade”, afirmou.

Além disso, o mercado brasileiro é muito pequeno em relação a outras cidades do mundo. São Paulo, com 13,7 milhões de m2, tem o maior estoque da América do Sul, ainda assim é menor que Nova Jersey, que tem 700 mil habitantes. Chicago e Los Angeles têm cerca de 20 milhões de m2 e Manhattan e Londres têm de 30 milhões a 35 milhões de m2.

Para os três executivos, São Paulo e Rio de Janeiro se mantêm como os principais polos para o mercado de lajes corporativas. Apesar das dificuldades de negociação com o setor público, Brasília é analisada por eles como um mercado de bom potencial. Curitiba e Belo Horizonte também começam a ganhar importância. No Rio de Janeiro, a freada da economia está afetando o ritmo dos investimentos do projeto Porto Maravilha, de revitalização da região portuária.

Em São Paulo, o novo plano diretor, que limita o coeficiente de construção e reduz a oferta de vagas nos futuros empreendimentos, deve ter grande impacto, levando à valorização do atual estoque e dos projetos aprovados com as regras anteriores à nova Lei de Zoneamento. O custo do terreno, que ficava de 10% a 20% do custo da construção, deverá subir para 40% a 60%, porque não haverá mais verticalização. Assim, não será possível diluir o custo do terreno. Há a expectativa de que o perfil da vacância, que hoje é de prédios novos, mude nos próximos anos para os edifícios mais antigos, que terão de receber investimentos para atingir a qualidade que os ocupantes buscam.

Para os clientes, além de preços menores, o mercado de lajes corporativas oferece produtos cada vez melhores e mais eficientes. Muitos adotam os padrões construtivos da certificação Green Building. O uso de cogeração de energia, por exemplo, pode promover uma forte redução no preço do condomínio e, assim como a otimização do uso da água, é muito valorizado no atual momento de crise energética e hídrica.

Para o cliente está fácil mudar para um espaço de melhor qualidade e ainda com menor impacto econômico. A oferta de lajes grandes também é uma realidade interessante que permite consolidar as operações num mesmo andar, ganhando maior sinergia.

O uso do espaço corporativo está mudando. Desde as salas individuais, já passamos por open floor e open space e chegamos hoje a um espaço colaborativo. As empresas estão buscando formas diferentes de ocupar os espaços, pensando no bem-estar dos funcionários. Em razão dos avanços da tecnologia, nem todos precisam mais ficar o tempo todo no escritório. O escritório do futuro está em qualquer lugar, e o futuro do escritório é saber motivar o funcionário a ir até lá”, analisou Fábio Maceira.

O mercado imobiliário brasileiro em debate

Promovido pelo Estadão e pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o Summit Imobiliário 2015 reuniu cerca de 500 líderes e empresários do setor. O evento contou com a presença do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que fez a abertura e defendeu o programa Minha Casa Minha Vida.

No encontro, foram apresentadas as perspectivas do setor imobiliário e seus diversos segmentos, como empreendimentos residenciais, centros logísticos e self storages, lajes corporativas e shopping centers e centros comerciais. O Summit Imobiliário 2015 contou ainda com a presença de urbanistas, executivos de fundos de investimentos e investidores, dentre outros.