Mercado de lajes corporativas continua vantajoso para o ocupante em 2018

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Em São Paulo e no Rio, momento ainda é favorável para empresas reverem estratégias de ocupação este ano

Mesmo que as projeções positivas para o crescimento da economia brasileira se realizem em 2018, os principais mercados de escritórios do país, São Paulo e Rio de Janeiro, ainda terão vacância elevada esse ano.

São Paulo e Rio estão em momentos diferentes do ciclo imobiliário e, além do desempenho ruim da economia nos últimos anos, foram impactados pela produção de novos estoques que excedeu a demanda de 2014 a 2017.

Veja abaixo as projeções da JLL para o mercado de lajes corporativas em São Paulo e no Rio de Janeiro em 2018.

São Paulo: regiões nobres já registram aumento de preços

Em São Paulo, os sinais da recuperação da economia são mais perceptíveis no mercado de escritórios. Nas regiões mais nobres, que tradicionalmente se recuperam mais rápido em cenários de crise, como Faria Lima e JK, já se nota uma queda na vacância e consequente aumento dos aluguéis.

Porém, a cidade ainda apresentará aumento da taxa de vacância por conta das entregas previstas para esse ano. Segundo os dados da pesquisa da JLL, serão 250 mil m² de novos empreendimentos, o que representa um crescimento de 5% do estoque total de lajes corporativas da cidade, atualmente de 5 milhões de m².

Para 2019, são esperados 136 mil m², e mais 113 mil m² devem entrar no mercado em 2020. O ritmo e o volume de novas entregas vêm diminuindo ao longo dos anos e muitos proprietários ainda estão postergando pedidos de Habite-se.

As empresas continuam se movimentando, mas a demanda ainda não terá fôlego para superar a oferta. “Como o mercado vem de um cenário de alta vacância, ainda que haja um aumento da demanda pela melhora da economia, não conseguirá absorver rapidamente a área que já estava vaga e o novo estoque previsto para os próximos dois anos”, diz Eduardo Miyamoto, da área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL.

De maneira geral, com a grande oferta disponível, o mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo deve continuar vantajoso para o ocupante este ano.

Rio de Janeiro: discreta recuperação

O mercado de escritórios no Rio sofreu mais duramente os efeitos da crise econômica e dos escândalos de corrupção, que afetaram diretamente a cadeia de óleo e gás. Ainda assim, os dados da JLL mostram que o mercado registrou 153 mil m² de novas ocupações em 2017.

As movimentações continuam em andamento, muito por conta do alto volume de estoque de escritórios de alta qualidade que continuam à disposição. Empresas que buscam trocar seus atuais escritórios ou consolidar suas sedes em prédios de padrão mais elevado, com melhor localização e aluguéis mais atrativos, ainda encontram boas opções no mercado.

O Rio também apresentou um alto volume de devoluções de espaços em 2017, especialmente no primeiro trimestre, quando dois edifícios do Centro de Mídia dos Jogos Olímpicos foram devolvidos, o que impactou a região da Barra da Tijuca. Além disso, a Petrobras devolveu 55 mil m² no Centro.

O ritmo de novas entregas vem desacelerando. Para 2018 são esperados 26 mil m² em três edifícios. Mesmo com menos entregas previstas, será preciso ainda que o movimento de novas ocupações continue e tome impulso para conseguir reverter a alta vacância e a consequente queda nos valores de locação.

“Esperamos uma discreta recuperação em 2018, porém, o mercado de escritórios do Rio ainda estará distante de atingir o equilíbrio entre oferta e demanda. Ainda com um alto volume de espaços vagos, o cenário continua favorável ao ocupante esse ano”, diz Miyamoto.

Acompanhe as pesquisas trimestrais da JLL sobre o mercado de escritório de São Paulo e do Rio de Janeiro no nosso site.