Microgeração distribuída de energia vai mudar a forma de viver e fazer negócios

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Nos próximos anos, o rápido desenvolvimento da tecnologia de células solares fotovoltaicas e incentivos fiscais vão consolidar a microgeração distribuída de energia.

Privilegiado por seu clima tropical e por ter a maior parte de seu território localizada relativamente próxima ao Equador, o Brasil tem um potencial imenso  para aproveitamento da energia solar. O Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), lançado há dois anos, prevê que, até 2030, haverá 2,7 milhões de unidades consumidoras gerando sua própria energia, principalmente a partir de fonte solar fotovoltaica, num total estimado 23.500 MW de energia limpa e renovável, o equivalente à metade do que é gerado na Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Nos próximos anos, o rápido desenvolvimento da tecnologia de células solares fotovoltaicas e incentivos fiscais vão consolidar a microgeração distribuída de energia, o que vai permitir novas oportunidades e vai mudar a forma de operação de muitos negócios. Hoje, o retorno sobre o investimento é de cinco anos para uma vida útil de 25 anos, o que limita o público com capacidade econômica de participar desse mercado, porém não estamos distantes de um patamar de eficiência que irá democratizar esta energia que vai mudar a forma de viver”, afirma André Okamura, gerente de Facilities da JLL, responsável pela conta Novartis Brasil.

Segundo ele, atualmente a relação custo x eficiência dos painéis fotovoltaicos ainda não tem o resultado ideal para democratizar o acesso a esta energia, mas isso tende a mudar rapidamente, já que quanto maior o incentivo para o uso da tecnologia solar fotovoltaica, mais dinheiro será revertido para pesquisa e desenvolvimento para obter maior eficiência e mais cairá o custo de implantação.

O ProGD – que permite aos consumidores gerar energia renovável e conectar o excedente à rede de distribuição – é um marco importante e elimina o inconveniente da geração de energia solar em residências. “Antes dessa autorização, o excedente era desperdiçado, já que as baterias ainda são caras. Imagine que a energia era gerada durante o dia, quando as pessoas costumam estar fora de casa. Agora, é possível ser um fornecedor de energia e abater esse crédito na conta de luz utilizada da rede de distribuição.” Outros desafios são a desoneração da importação de placas fotovoltaicas e investimento para produção nacional.

Entre os benefícios da microgeração distribuída, André cita a redução de custo da conta e a maior confiabilidade das redes elétricas, porque a energia está sendo gerada localmente e não precisa viajar milhares de quilômetros para chegar até o ponto de consumo. No caso de empresas, há ainda ganhos econômicos para quem está listado na bolsa de Nova York, por exemplo, e de imagem por usar uma energia limpa e renovável. É também um fator positivo adicional em processos de certificação. Reduz ainda, por parte das concessionárias, a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura para atender o crescimento da demanda de energia e para chegar a localidades afastadas.

Além de consumidores domésticos, vários outros segmentos podem se tornar geradores de energia.

Exemplo desse modelo vem da CELESC, que utilizou o recurso de reinvestimento obrigatório previsto na lei das concessões para financiar a instalação da geração solar em residências. O sucesso foi tão grande que as quotas encerraram-se em poucos dias, demonstrando a demanda reprimida que existe nesse mercado.

Todos os segmentos em que a JLL atua como gerenciadora de propriedade podem ser beneficiados pela geração própria de energia, especialmente, locais com estacionamentos abertos (sombreamento com captação), shoppings, galpões industriais e logísticos por seus gigantescos telhados”, afirma André, lembrando que a JLL pode fazer estudos de viabilidade e ainda orientar os clientes sobre como ter acesso a linhas de financiamento específicas para tecnologias verdes, que têm custo menor.

Para o segmento de edifícios corporativos, deve evoluir a tecnologia para revestir os prédios com filmes captadores de energia solar, atualmente uma opção possível tecnicamente, mas comercialmente inviável.

Energia Solar

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Radiação Solar

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Veja mais: http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/energia_solar/3_2.htm

https://www.cosol.com.br/radiacao/