Novo cenário no mercado hoteleiro

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Avanço das plataformas online de reservas e acirramento da competição fazem das fusões e aquisições estratégias fundamentais para a sobrevivência dos hotéis

Não é novidade que o mundo está passando por profundas transformações no modo como as pessoas vivem, trabalham e se divertem. Vários setores de atividades da economia tradicional estão sendo impactados pelo crescimento rápido de novas tecnologias e modelos de negócios disruptivos.

No setor hoteleiro, os sites de reservas online, conhecidos no mercado como Online Travel Agencies (OTAs) vêm ganhando cada vez mais relevância. Ao agregar em uma plataforma online a oferta fragmentada de quartos de hotéis em todo o mundo, empresas como o Grupo Priceline, dono da Booking.com e líder global desse segmento, e a Expedia, dona do Trivago e segunda maior OTA do mundo, por exemplo, mudaram completamente a forma como as pessoas planejam viagens e fazem reservas em hotéis. Em 2016, o investimento global em marketing das duas líderes de mercado foi de US$ 8 bilhões, valor equivalente ao gasto pela indústria hoteleira em todo o mundo.

Mais poder para negociar

Em um cenário agora mais competitivo e bem mais complexo, os hotéis precisaram repensar suas estratégias. Como explica Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels & Hospitality, os hotéis não podem mais contar apenas com seus canais próprios de reservas, precisam estar presentes nessas plataformas.

“O avanço das OTAs, assim como de novas formas de hospedagem como o Airbnb, tem trazido novos desafios ao quebrar o modelo tradicional da indústria. Se por um lado essas novas plataformas podem ser vistas como uma oportunidade para conquistar novos mercados e consumidores, por outro, a competição por esses consumidores ficou mais acirrada”. – Ricardo Mader

Ricardo Mader- Diretor da Área de Hotéis de Hospitalidade da JLL. Foto: Marco Antônio Sá. Pentaprisma

Ricardo Mader- Diretor da Área de Hotéis de Hospitalidade da JLL. Foto: Marco Antônio Sá. Pentaprisma

E cara. Para ter sua oferta de quartos disponível nesses canais online, o hotel precisa pagar uma comissão que gira em torno de 15% a 30% do valor da diária. As OTAs aceitam negociar esse valor, desde que a oferta de quartos a ser disponibilizada para venda nessas plataformas seja grande. “Então, quanto maior for a rede hoteleira, maior será também seu poder de negociação”, explica Mader.

Negócio de Gigantes

Nesse novo cenário de rápidas transformações ter escala, força de negociação e mais presença de mercado é fundamental. Grandes fusões e aquisições e novas alianças estratégicas estão sendo registradas no setor, como a compra da Starwood Hotels & Resorts pela Marriott International, negócio concluído em 2016, e que transformou a Marriott na maior rede hoteleira do mundo.

No Brasil, o Grupo Rio Quente comprou recentemente o complexo hoteleiro Costa do Sauípe da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). O negócio, que contou com a consultoria da JLL Hotels & Hospitality para realizar a venda em nome da Previ, recebeu o aval do Cade em dezembro de 2017, e é o exemplo mais recente do impacto dessas transformações no mercado nacional. Com a aquisição, o Grupo Rio Quente ganha mercado e um ativo relevante no segmento de resorts, e irá investir para reposicioná-lo nos próximos anos.

Estratégia de sobrevivência

No Brasil, como o mercado ainda é bastante pulverizado, com grande presença de hotéis independentes, veremos novas fusões e aquisições. “Estamos diante de uma tendência global que está redesenhando o setor hoteleiro. As estratégias de consolidação são uma necessidade para sobreviver em um cenário de rápidas e profundas mudanças que estão impactando a indústria hoteleira no mundo todo”, diz Mader.