Novos ventos para o Norte e Nordeste

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As regiões são as que mais geram oportunidades de negócios no Brasil atualmente.

 

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou 2010 com alta de 7,5% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O fortalecimento do mercado interno e a ascensão das classes C e D foram os principais impulsionadores da economia nacional. Por meio do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o governo federal tem investido em obras de infraestrutura logística, energética, social e urbana para estimular a eficiência produtiva do País e ativar regiões menos desenvolvidas. As regiões Norte e Nordeste estão entre as mais beneficiadas pelo programa.

Os investimentos em transporte (hidrovias, ferrovias, rodovias e portos), por exemplo, são de R$ 6,2 bilhões na Região Norte e R$ 7,3 bilhões no Nordeste, 23,15% do total destinado à infraestrutura logística em todo o País, que é de R$ 58,3 bilhões. Já os recursos destinados aos aeroportos da região Norte são de R$ 95 milhões e de R$ 151 milhões no Nordeste. As aplicações previstas em geração de energia elétrica são de R$ 13,5 milhões para o Nordeste e chegam a R$ 34,9 no Norte e compreendem usinas e pequenas centrais hidrelétricas, termoelétricas, eólicas e biomassa. A região Nordeste, conhecida pela escassez de água, contará ainda com investimentos no sistema de abastecimento de água que chegam a R$ 640 milhões, em obras de barragens e adutoras.

O momento econômico favorece a expansão dos negócios e, para isso, as empresas têm investido em suas linhas de produção e centros de distribuição. Apenas no Complexo Industrial de Suape, em Recife (PE), há 45 empresas em fase de instalação. Na Zona Franca de Manaus, que terá sua licença prorrogada por 50 anos a partir de 2013, a previsão é de instalação de 26 novos projetos ainda este ano. Pedro Candreva, diretor comercial da JLL, comenta a preferência de grandes empresas por espaços nestas regiões. “O aumento do poder aquisitivo da população criou um novo mercado consumidor. Estar nessas áreas significa estar mais próximo dos novos consumidores”, diz.

Destaques

Impulsionado pelo bom desempenho dos segmentos eletroeletrônico e de duas rodas, o Polo Industrial de Manaus fechou os primeiros cinco meses de 2011 com faturamento de US$ 16,3 bilhões, aumento de 22,8% em relação ao mesmo período do ano passado, e empregando aproximadamente 114 mil trabalhadores. A projeção é de um faturamento superior a US$ 40 bilhões em 2011,com mais de 118 mil empregos diretos e meio milhão de empregos, entre diretos e indiretos, afirma a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávia Grosso. “O Polo Industrial de Manaus é um modelo de sucesso para o desenvolvimento da região, que não somente gera emprego, investimento e bem-estar social, mas também contribui fortemente para a preservação ambiental da região”, diz.

Já em Suape, principal polo de desenvolvimento do Nordeste, o crescimento foi 19,5% na movimentação de cargas e 32,1% na movimentação de contêineres no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos últimos cinco anos, o porto movimentou 9 milhões de toneladas. A expectativa do Complexo de Suape para 2011 é de 11 milhões e de chegar a 13 milhões de toneladas em 2013. Em 2016, Suape se tornará um dos três maiores portos do Brasil, quando triplicará a movimentação de carga, alcançando a marca R$ 50 milhões.

Migração em baixa

“O aumento do poder aquisitovo da população criou um novo mercado consumidor. Estar nessas áreas significa estar mais próximo dos novos consumidores.”

Tanto desenvolvimento tem desdobramentos sociais. A migração interregional tem apresentado quedas constantes. A Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD) de 2004 indicava que 2,8 milhões de pessoas migraram para outras regiões. Em 2009, este número caiu para pouco mais de dois milhões. Dados do IBGE mostram que Estados do Nordeste apresentaram um aumento no percentual da migração de retorno em 2009, quando comparados a 2004. É o caso de Sergipe, em que a taxa de retorno de migrantes foi de 21,52%, Pernambuco com 23,61%, Paraíba com 20,95% e Rio Grande do Norte com 21,14%, em comparação com 2004. Já a região Sudeste, tradicional polo atrativo, apresentou saldo negativo de migrantes tanto em 2004 quanto em 2009.

Leila Ervatti, pesquisadora do IBGE, comenta que embora ainda seja o principal fluxo migratório no Brasil, a mudança de pessoas da região Nordeste para o Sudeste tem diminuído desde a década de 90.

No passado, esses fluxos tinham como principal motivação a precariedade da terra e a industrialização do Sudeste, que necessitava de mão de obra. Com o aumento dos investimentos no Nordeste no final da década de 90 e nos anos 2000, por meio de incentivos fiscais para instalação de empresas, além dos programas sociais, a população ficou mais retida em seus lugares de origem”, comenta.

O nível de escolaridade dos migrantes também tem aumentado ao longo dos anos. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que o percentual de migrantes adultos com pelo menos 12 anos de estudo passou de 11,6% em 2005 para 15,2% em 2008
na região Norte. No Nordeste, este número foi de 9,2% para 14,1% no mesmo período.

Espaço para crescer

“Pernambuco é uma região considerada privilegiada do pont de vista da logística.”

Rodrigo Marinho é coordenador de desenvolvimento da GL Empreendimentos, empresa parceira e cliente da JLL na região Nordeste, que oferece soluções imobiliárias competitivas na construção e locação de galpões industriais. Ele comenta que o aumento da demanda por galpões na região Nordeste começou há cinco anos, tendo se intensificado nos últimos dois anos.

Pernambuco é uma região considerada privilegiada do ponto de vista da logística. Muitas empresas fazem distribuição para todo o Brasil a partir daqui, sem falar da crescente demanda local”, afirma.

A GL Empreendimentos possui atualmente três grandes centros logísticos em operação e acaba de lançar mais um em Suape.

Os números confirmam a informação. A economia pernambucana superou o ritmo de expansão do País no ano de 2010. O crescimento do PIB no estado foi de 9,3% no ano passado, em relação a 2009, segundo a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisa de Pernambuco. A alta foi impulsionada pela construção civil, que representou 26,1% do total; pela indústria, com 12,5%; seguida do setor de serviços, representando 8,7%; e agropecuário, com 8,3%. “Com a industrialização, aumenta a demanda pelo setor de serviços, como o comércio. As cidades são polos com densidade humana e precisam de todo o tipo de serviço”, comenta a pesquisadora do IBGE.

Empresas nacionais e multinacionais de logística, de bens de consumo e indústrias têm feito crescer a demanda por terrenos na região Nordeste, segundo Rodrigo Marinho. “Até cinco anos atrás, a procura era por áreas pequenas de até 2 mil m2. Hoje, a procura é por áreas de 10 mil a 50 mil m2 para locação”, explica.

A JLL faz a desmobilização de ativos imobiliários, avaliação de imóveis e gerenciamento de vendas desses espaços. Na busca por novos terrenos, faz pesquisa imobiliária, identificação, recomendação, negociação e aquisição. “Com conhecimento de mercado e grandes parceiros, é possível oferecer soluções que atendam às necessidades de cada cliente”, diz Pedro Candreva.

Uma das oportunidades locais é o Cone Suape, uma plataforma de empreendimentos de logística, industrial e de serviços que está sendo construída para abrigar as empresas que querem contar com a grande vantagem competitiva do Complexo de Suape. O Cone Suape tem aproximadamente 12 milhões de m² com a comodidade de estar ao lado do Complexo e a 15 km do Aeroporto de Recife, que fica a dez minutos do centro econômico da capital e a 9 km do Cais do Porto de Suape.

Outras regiões do Norte e Nordeste também apresentam oportunidades de mercado, por exemplo, Salvador. Segundo estudo elaborado pela JLL, atualmente o mercado de escritórios local é da ordem de 770 mil m², o equivalente a 17% do mercado do Rio de Janeiro e 8% do mercado de São Paulo. Além disso, vem crescendo a uma taxa média de 7% ao ano ou aproximadamente 200 mil m² por década. A taxa de vacância de escritórios na cidade é de apenas 2,8% ao ano. Com base nas informações das incorporadoras e construtoras locais, a projeção é de que o mercado local cresça 50% até 2019, recebendo 380 mil m² nessa década, crescimento 90% superior à média histórica.

Em Fortaleza, embora o mercado seja menor, de aproximadamente 570 mil m², a taxa de vacância também é baixíssima, em torno de 2%, e a projeção de crescimento nos próximos dois anos é de 15%.

Turismo de negócios

O aumento do número de empresas se instalando nas regiões Norte e Nordeste faz crescer as oportunidades para o segmento hoteleiro de negócios, afirma Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels no Brasil. “Há uma demanda latente nesses locais, especialmente em Recife, Manaus e Belém”, diz. Na região Nordeste, há 54 hotéis em construção, que vão oferecer 8.649 novas acomodações. Na região Norte, são 16 projetos em desenvolvimento, somando 2.280 novos quartos.

No segmento de resorts, a conjuntura nacional e internacional levou à baixa performance do setor, paralisando os investimentos.

Em 2010, a média de ocupação dos resorts brasileiros foi de 46%. Alguns estão investindo na criação de centros de convenções para atender à nova demanda, porém a localização, às vezes, é uma limitação”, explica Mader.

Jornalista Responsável: Velma Gregório – MTB 5497