Oportunidades geram demanda no segmento de galpões industriais no Brasil

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Concentração populacional e consequente aumento do consumo motivam empresários a investir em novos espaços.

Nem mesmo os efeitos da crise econômica mundial foram capazes de abalar o setor de galpões no Brasil. Enfrentando obstáculos na infraestrutura de estradas, portos e aeroportos, o país oferece um cenário de oportunidades para o desenvolvimento crescente do segmento, considerado uma alternativa viável para a distribuição de bens e produtos. Somando-se esse fato às políticas fiscais existentes – são fundamentais para a tomada de decisões na escolha para construção de novos sites –, especialistas da área de pesquisas JLL traçam uma estimativa de expansão do mercado de galpões de aproximadamente 45%, até 2017.

Os principais motivos para esse crescimento, segundo os pesquisadores, referem-se a melhorias e crescentes exigências operacionais dos ocupantes, além do desenvolvimento do comércio eletrônico. Com isso, nos próximos dois anos, o Brasil deverá contar com um estoque de 38,9 milhões de m² de galpões, incluindo os 26,8 milhões do estoque atual. Essa realidade é avaliada por Craig Meyer – diretor global da área Industrial da JLL Estados Unidos, que recentemente visitou o país – como oportuna.

O mercado de galpões conta com o potencial de uma população crescente nas grandes metrópoles, a exemplo de São Paulo, com uma classe média representativa e consumidora. Todos os investidores desse segmento enxergam o Brasil como uma grande oportunidade”, reforça o executivo.

Fábio Maceira, presidente da JLL Brasil, reafirma as palavras de Meyer.

Temos um mercado enorme para atuar, que ainda é incipiente, mas se desenvolvendo muito bem. Apesar da crise, o segmento continua atraindo capital e há muitos recursos novos chegando, capazes de desenvolver novos produtos. Estamos muito otimistas com o mercado industrial”, afirma.

Segundo André Rosa, diretor da área de Transações da JLL, as oportunidades não se referem apenas a novas demandas, mas também à mudança para imóveis de melhor qualidade.

O objetivo é gerar mais eficiência nas operações. Por isso, independentemente da situação econômica, é importante que as empresas mudem. Na maioria das vezes, essa estratégia significa ter um preço melhor, um custo mais baixo”, diz, ao registrar que as companhias estão conscientes dessa situação. “Temos recebido muitas solicitações e perguntas de empresas interessadas nesse movimento”, destaca.

André Rosa explica ainda que estudos de supply chain – também conduzidos pela JLL, quando solicitados – buscam identificar quais são os locais mais promissores para investimentos de galpões. “Tudo, porém, depende essencialmente, de onde está o consumo. Por meio de análises e avaliações, conseguimos identificar para o cliente qual é o melhor local para investir em um centro de distribuição, atingindo assim, o maior número de pessoas possível, de forma mais rápida e barata”, explica, ao destacar que a logística (incluindo transporte, estoque e mão de obra) normalmente é responsável por 75% do custo total de operação de um centro de distribuição.”

Nesses casos, contar com o apoio de equipes industriais – formadas por especialistas como os da JLL – pode gerar significativas melhorias operacionais de clientes industriais e logísticos. Não só os ocupantes podem procurar a JLL para orientação sobre como escolher o melhor CD para locação, como também os investidores e desenvolvedores podem contar com a expertise e projeções de atividades industriais apresentados pela empresa”, conta Rosa.

Maceira acrescenta que hoje cada região brasileira pode ser atendida por um centro de distribuição.“As oportunidades não estão concentradas em único local. Elas se encontram no Sudeste,  Sul, Nordeste e Centro Oeste. Tudo depende do tipo de negócio. A Amazon é uma referência nesse sentido. Trata-se de uma distribuidora, que encaminha seus produtos diretamente para o consumidor, sem passar por uma loja física. Esse é um caso cuja demanda obriga a empresa operar em mais de um galpão no país ou por meio de operadores logísticos, responsáveis pela entrega dos itens”, esclarece.

Foto: Divulgação JLL