Os impactos da Rio+20 no setor imobiliário

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Dan Probst, diretor de Serviços de Energia  e Sustentabilidade da matriz  americana da Jones Lang LaSalle  | Foto: Acervo Jones Lang LaSalle

Dan Probst, diretor de Serviços de Energia e Sustentabilidade da matriz americana da Jones Lang LaSalle | Foto: Acervo Jones Lang LaSalle

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento SustentávelRio+20 – foi um dos grandes eventos mundiais de 2012. Concentrando-se na criação de uma economia verde e uma estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável, o evento  se apoiou em três objetivos: garantir a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável; avaliar o progresso e as lacunas na implementação dos compromissos já avençados; e tratar de desafios novos e emergentes.

Alguns meses já se passaram desde a sua realização, permitindo analisar como essas metas impactarão o setor imobiliário. Primeiramente, é preciso relembrar que os governos se comprometeram a manter os princípios da Declaração da Rio-92.  Alguns deram novos passos, a exemplo do Reino Unido, que se comprometeu a estudar de que forma os ativos naturais podem ser quantificados nas contas nacionais (PIB+), e anunciou a introdução, em 2013, do relato obrigatório de emissões de carbono de suas empresas listadas em Bolsa.

Os governos também solicitaram o compromisso do setor privado, e, em relação ao ambiente construído, buscaram promover uma abordagem integrada do planejamento de cidades sustentáveis, com edificações mais ecológicas; redução do desperdício; aumento da resiliência às condições climáticas e duplicação da parcela de energia renovável no mix energético global até 2030.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apresentou dados que revelam que a economia verde acontece em uma escala jamais vista, com US$180-200 bilhões de investimentos em energia limpa em 2010. O documento final da Rio+20, no entanto, reconhece que, apesar dos esforços, “os ganhos do desenvolvimento sustentável foram afetados pela insegurança alimentar, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade”.

A crise financeira mundial, por sua vez, foi identificada como o mais novo desafio. Em relação ao ambiente construído, as barreiras de mercado, a falta de conscientização, a capacidade técnica e os custos antecipados foram, todos, identificados como obstáculos significativos à realização do potencial no que se refere a edifícios eficientes em termos de consumo de energia. Portanto, quem esperava que a Rio+20 solucionasse todos os desafios ambientais e de desenvolvimento percebeu que os problemas globais são muito complexos.

Por outro lado, a Conferência viu um avanço real em algumas áreas importantes. O setor imobiliário, em especial, deverá contribuir significativamente com a agenda do desenvolvimento sustentável, por meio da construção de edificações eficientes, ambiental e socialmente sustentáveis.  Conforme disse Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, na ocasião: “A estrada da sustentabilidade passa pelas pequenas e grandes cidades do mundo.  Se construirmos cidades sustentáveis, construiremos a sustentabilidade global”.

 

*Co-autoria de Frederico Vasconcellos, diretor de Serviços de Engenharia da Jones Lang LaSalle Brasil.