Parklets: espaços de convivência que dão vida às cidades

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Espaços de convivência contribuem para modificar a cidade e a interação com os pedestres

Você já descansou ou jogou conversa fora num parklet? Talvez você já tenha tido essa experiência. Os parklets são extensões temporárias das calçadas que ajudam a promover o uso do espaço público de forma democrática a partir da conversão de um espaço de estacionamento de carros na via pública em espaço de convivência de pedestres.

Nos Estados Unidos, o conceito foi criado para representar a transformação de um espaço de estacionamento de automóveis em um pequeno parque ou ambiente para recreação e convivência da comunidade.

Em São Paulo, a ideia de parklet surgiu em 2012, mas a sua primeira implantação ocorreu em 2013, dando início ao processo de regulamentação que culminou em um Decreto municipal (n°55.045/14), em vigor desde abril de 2014, com os mesmos objetivos americanos.

Geralmente construídos em regiões da cidade com alta densidade, próximos ao comércio, os parklets podem também permitir a prática de exercícios físicos ou apresentações culturais temporárias. Alguns são equipados com bicicletários, floreiras, mesas, bancos e guarda-sóis. É uma forma de apoiar também os deslocamentos a pé de bicicleta pela cidade, oferecendo áreas de permanência.

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É uma forma interessante de ampliar a área de uso dos pedestres, seja para descanso ou convívio, que também são pequenos respiros numa cidade com pouca oferta de espaço público. Muitas dessas áreas servem com extensão da calçada a bares e lanchonetes, ampliando a área para os usuários (embora os parklets sejam de uso irrestrito à população, não de uso exclusivo da loja). Muitas vezes contam também com pequenos jardins e com um mobiliário especialmente desenhado para o projeto, tornando cada parklet único e cheio de criatividade em seu design”, informa Simone Shoji, especialista da área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL.

Há algumas regras para os parklets, como deixar visível que o espaço é público, ter rampas de acesso, informar que não existe incentivo econômico, mostrar que o espaço tem uma autorização com validade de três anos e que a manutenção fica por conta dos seus criadores/patrocinadores. A implantação de um parklet deve ser inclusive aprovada pela Subprefeitura do local escolhido, no caso da cidade de São Paulo.

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São Paulo conta hoje com 88 parklets implantados, com maiores concentrações nos Jardins, Pinheiros/Vila Madalena e Itaim, e mais 32 em implantação pela municipalidade (veja mapa) e este número só tende a crescer. Tanto pelo fato de o parklet dar uma “cara nova” àquele pedaço da rua onde foi instalado, trazendo consigo um ar de revitalização da vizinhança, como pelo fato de ajudar o comércio. A Prefeitura de Nova Iorque divulgou que houve um aumento de 14% nas vendas das lojas que receberam parklets na sua frente (“Measuring the Street”, NYC DOT).

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Outro ponto positivo da instalação dos parklets é que, com o aumento do fluxo de pedestres, a área acaba se tornando mais segura. A cidade e, principalmente, as pessoas ganham muito com isso, pois os parklets passam a ser um lugar e não apenas espaço público”, explica Simone.

Acesse o site da Prefeitura de São Paulo e saiba mais sobre a política dos parklets, que podem ser implantados por pessoa física, jurídica ou pelo poder público.

Paradas Cariocas e outras praças

Em abril de 2015, o prefeito do Rio de Janeiro assinou um decreto que regulariza a instalação de parklets na cidade chamados de Paradas Cariocas. Qualquer pessoa pode propor a construção junto à sua subprefeitura. Mas as Paradas Cariocas só poderão ser construídas em ruas cuja velocidade máxima é de 50 km/h e o responsável por cada espaço deverá arcar com os custos de sua obra e manutenção. Se houver algum estabelecimento comercial em frente, será preciso uma autorização do proprietário, caso ele não seja o autor do pedido de concessão.

Esse parklet do Rio de Janeiro não poderá ser a extensão de um bar, por exemplo. O proprietário de um bar pode até pedir para instalar mesas em frente ao seu estabelecimento para descanso dos pedestres, mas não poderá comercializar nada ali, naquele espaço. E também não poderá ter garçons servindo na rua ou mesmo adotar o mesmo layout do estabelecimento. Qualquer pessoa poderá sentar nesse espaço, pois não será um espaço para clientes e sim para pedestres. A prefeitura informa que vai fiscalizar.

Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e, mais recentemente, Salvador também já receberam a regulamentação para os parklets. Algumas prefeituras também incentivam projetos e materiais sustentáveis.