Patinete: o modal de transporte que veio para ficar

Leitura de 4.5min

Divertida, novidade deve se consolidar como solução para pequenos deslocamentos

O interesse de Jorge Pedro da Silva Junior, coordenador da área de Transações da JLL, pelos patinetes começou por curiosidade, depois virou um desafio entre a equipe, até que se tornou o meio de transporte preferido para visitar os clientes na região da JK.

As pessoas do escritório começaram a se desafiar: ‘Quem nunca andou? Vamos experimentar!’. Aí, começamos a andar juntos e a compartilhar nossas experiências. Hoje em dia, se é um deslocamento curto, o patinete é minha primeira opção porque é divertido, rápido, mais barato do que gasolina e estacionamento e ainda ajuda o planeta, pois não polui e não faz barulho”, diz.

Coordenador da JLL adotou o patinete para visitas a clientes na região da JK

Coordenador da JLL adotou o patinete para visitas a clientes na região da JK

Jorge recorre ao carro para percorrer o trajeto da sua casa, em Guarulhos, para o trabalho, no bairro paulistano da Vila Olímpia, por causa da distância. “Gostaria de me deslocar de outra forma – de bicicleta, por exemplo –, mas o medo é maior. Não há ciclofaixa em todo meu caminho”, conta. Leia mais sobre os benefícios de ir de bicicleta ao trabalho na reportagem publicada pelo Panorama no mês passado.

Os patinetes elétricos chegaram a São Paulo em agosto do ano passado, com o início das operações das empresas Yellow e Grin, que se fundiram em janeiro. Hoje, já estão disponíveis em várias cidades, como Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, entre outras. Saiba como utilizá-los:

  • Baixe o aplicativo;
  • Localize um patinete;
  • Escaneie o QR Code para desbloqueá-lo;
  • Comece a corrida;
  • Ao final, estacione em uma das zonas indicadas no mapa e encerre a corrida no app.

O custo é de R$ 3 + R$ 0,50 a cada minuto de uso. Por questões estratégicas, as marcas não divulgam números como a quantidade de equipamentos disponíveis, de corridas ou de usuários. Mas quem frequenta a Zona Sul da cidade sabe que a adesão é grande.

Em outros países, patinetes estão consolidados como meio de transporte

Segundo o professor de inovação e tecnologia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Arthur Igreja, no Brasil, os patinetes elétricos ainda são usados mais por lazer ou por curiosidade, porém a tendência é que se estabeleçam como meio de transporte, como já acontece nos Estados Unidos, por exemplo.

Em março, ele esteve em Austin (Texas) para o festival de economia criativa SXSW, no qual acompanhou muitos debates sobre mobilidade urbana. “Lá, a impressão era de que os estranhos no trânsito eram os carros”, afirma. Para ele, o sucesso dos patinetes elétricos demonstra que faltam alternativas de transporte.

O patinete é um modal complementar e resolve o problema de last mile, que é o fim do deslocamento, quando você precisa percorrer um trecho depois de usar outro meio de transporte, como a partir de uma estação de metrô”, aponta Igreja.

Grin e Yellow se fundiram em janeiro e já operam em diversas cidades brasileiras

Grin e Yellow se fundiram em janeiro e já operam em diversas cidades brasileiras

Porém, como em toda novidade, ainda é necessário aparar algumas arestas, de acordo com o professor da FGV. “Nos Estados Unidos, estão debatendo questões de segurança, à medida que os acidentes começam a onerar o sistema de saúde”, explica.

Por aqui, além da questão da segurança – dos usuários e dos pedestres -, há a discussão sobre os locais de estacionamento dos equipamentos. É comum vê-los no meio da calçada, atrapalhando a passagem.

A Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para conduzir a regulamentação do sistema de compartilhamento de patinetes elétricos, e a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes tem analisado experiências internacionais com o modal.

As empresas afirmam atender a todos os requisitos previstos por lei, como velocidade máxima permitida (20 km/h) e itens de segurança (buzina, luz de freio, indicador de velocidade, entre outros). Além disso, recomendam que, ao final das corridas, os patinetes sejam estacionados nas zonas indicadas nos aplicativos.