Queda da Selic amplia atratividade dos fundos imobiliários

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Interesse dos investidores por novas aplicações abre espaço para financiar a construção de hotéis.

 

A queda da taxa Selic tem feito crescer a procura por boas opções de investimento.

Para balancear a carteira de aplicações nesse novo cenário, investidores tendem a buscar títulos cuja rentabilidade esteja atrelada às boas perspectivas de determinados setores da economia.

Esse é, tipicamente, o caso dos Fundos de Investimento Imobiliário.

Criados no Brasil na década de 90, esses fundos têm como objetivo, pelo lado dos investidores, conseguir ganhos com a locação de imóveis.
Já pelo lado das empresas, o fundo é uma forma mais barata de viabilizar projetos, levantando recursos com investidores em vez de recorrer, por exemplo, a empréstimos bancários.

Com grande demanda por parte dos aplicadores nas áreas de shoppings centers, escritórios e, mais recentemente até mesmo hospitais, os fundos começam a vislumbrar negócios em outras modalidades.

Uma delas é o desenvolvimento de hotéis voltados para negócios.

Esse é o objetivo do Fundo de Investimentos Imobiliário FII Hotel Belo Horizonte Belvedere, que irá levantar dinheiro para construir hotéis de duas bandeiras reconhecidas – Ibis e Pullman – na capital mineira.

Houve um desenvolvimento muito tímido da oferta de vagas de hotéis em BH. Isso porque os hotéis atuais são antigos e controlados por grupos de origem familiar. Por isso, há muita improvisação e um grande potencial para desenvolver esse tipo de empreendimento na cidade”, estima Ricardo Mader, diretor da JLL Hotels para a América do Sul.

A empresa foi a responsável por preparar o estudo de viabilidade do empreendimento.

O projeto de construção dos hotéis já foi aprovado. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2013.

Quando estiverem prontos, os apartamentos – 216 destinados à rede Ibis e 280 à marca Pullman – serão alugados à Accor, que irá explorar o empreendimento.

Recentemente, outras empresas também decidiram ir ao mercado buscar recursos para investir em hotéis.

São os casos, por exemplo, do Astra Hotels, da Blue Tree Hotels, e de um fundo anunciado há cerca de um mês pela Brazil Hospitality Group.

“Há ótimas perspectivas e uma grande expectativa, pois, se tiverem boa demanda e performance, os fundos para viabilizar hotéis se tornarão uma importante alternativa de financiamento para os próximos anos”, observa Mader.

Boa escolha

Podem aplicar no Fundo de Investimento Imobiliário Hotel Belo Horizonte Belvedere pessoas físicas ou investidores qualificados, como são conhecidos investidores institucionais, caso dos fundos de pensão.

O investimento mínimo para pessoas físicas é de R$ 1 mil. A aplicação mínima para investidores qualificados é de R$ 100 mil.

Aplicar em imóveis por meio de um fundo é uma forma de reduzir riscos, já que não é preciso dispor de tantos recursos nem estar envolvido diretamente na administração do imóvel”, exemplifica Ricardo Mader.

O investimento em fundos imobiliários também provoca atração de pequenos poupadores por contar com vantagens tributárias. Os rendimentos mensais aos quais os quotistas têm direito são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Pelo menos 95% dos rendimentos obtidos pelo fundo são distribuídos aos participantes.