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JLL, reconhecida internacionalmente como uma das empresas mais éticas do mundo.

Você já deve ter ouvido falar em Governança Corporativa. Ela é fundamentada em alguns pilares como transparência, equilíbrio de direitos aos acionistas, abertura das informações e ética. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Governança Corporativa é

o sistema que assegura aos sócios-proprietários o governo estratégico da empresa e a efetiva monitoração da diretoria executiva… A boa governança corporativa assegura aos sócios equidade, transparência, responsabilidade pelos resultados (accountability) e obediência às leis do país (compliance).”

A JLL, reconhecida internacionalmente como uma das empresas mais éticas do mundo, participa de diversos encontros sobre o tema. Em julho, Kathryn Ditmars (diretora jurídica global da JLL) e Aline Ribeiro (diretora do departamento Jurídico e de Compliance da JLL) participaram, em São Paulo, de painéis no Latin America Ethics Summit 2013, evento realizado pela Thomson Reuters e pelo Instituto Ethisphere que teve como objetivo discutir os desafios dos profissionais das áreas de Compliance e Ética Empresarial na América Latina.

Leia a seguir a entrevista de Aline Ribeiro, diretora da JLL , sobre o assunto. Aproveite para assistir também ao vídeo que fizemos com ela.

Panorama – De que forma é possível definir compliance e ética dentro de uma empresa?

Aline Ribeiro – Compliance significa conformidade. Toda empresa que se propõe a ter uma área de compliance é porque se preocupa em observar as normas e leis relacionadas ao seu negócio ou sua operação. Existem setores que são mais regulados e outros que são menos mas, geralmente, é a partir das normas vigentes que a empresa elabora suas políticas e normas internas. O programa de compliance aborda tanto as normas externas como internas. Um dos pilares de um programa de compliance é o Código de Ética. O Código de Ética norteia as ações dos funcionários e de todos os colaboradores da empresa. Ele dita como a empresa quer que seus colaboradores atuem no mercado, no ambiente de trabalho, com clientes, fornecedores etc.

Panorama – Qual é a sua representatividade na estratégia e na conquista dos objetivos de uma companhia?

Aline Ribeiro – A área de compliance dissemina as políticas e normas da empresa pela organização, ajuda a empresa a entender e a reduzir os riscos do negócio. É extremamente importante que as empresas atendam às leis que regulam sua operação e entendam os riscos do negócio, pois a violação de leis pode levar a empresa a perdas significativas ou, até mesmo, perdas irreparáveis. Não se tratam só de perdas financeiras mas também prejuízo reputacional. Estar envolvido em processos, litígios e autuações não é bem visto pelo mercado, é ruim para empresa, para os negócios e até mesmo para os profissionais envolvidos. Compliance atua no preventivo orientando a empresa a fazer a coisa certa.

Panorama – Quais são os principais desafios – relacionados a esses conceitos – que precisam ser superados pelas empresas nos dias atuais?

Aline Ribeiro – Nem todas as pessoas compreendem a importância de compliance em uma organização. É comum as pessoas associarem a área de compliance como mais um custo para empresa, porque na verdade não conseguem avaliar que a atuação preventiva também ajuda a aumentar os lucros da empresa.

O primeiro desafio para um compliance officer é convencer a alta administração da empresa sobre a necessidade e importância de compliance pois, sem o apoio da administração, as iniciativas da área acabam não tendo efeito ou não se realizam com eficácia.

O segundo desafio é o mercado. Dependendo do setor que a empresa atua e o comportamento dos concorrentes, é extremamente difícil convencer a área de vendas sobre as vantagens de compliance. Geralmente, enfrentamos resistência da área comercial.

As pessoas tem uma tendência natural de transferir os riscos de um negócio para o futuro. E fazem isso porque enfrentam diariamente a pressão por resultados e não conhecem ou ainda não experimentaram de fato as consequências danosas de suas ações. Com o tempo, muito treinamento e resiliência, é possível quebrar certos paradigmas e demonstrar para os colaboradores da empresa que fazer do jeito certo é o melhor caminho para todos.

Panorama – Qual é a importância do compliance e ética para os negócios da JLL?

Aline Ribeiro – Nossos clientes, que são em grande parte multinacionais, buscam parceiros que prezam por boas práticas de governança corporativa. Eles querem trabalhar com empresas que tenham um forte programa de compliance e compromisso com a Ética. Isso nos coloca em um patamar diferenciado no mercado imobiliário, pois estamos comprometidos com postura ética e íntegra em tudo o que fazemos.

Panorama – Quais foram as principais conclusões, relacionadas ao tema, obtidas durante a realização do Latin America Ethics Summit 2013?

Aline Ribeiro – Por incrível que pareça, o Brasil ainda está engatinhando em relação à compliance. Eu digo isso porque o País tem lei para tudo, muda a legislação toda hora, e são pouquíssimos os setores que não são regulados. Então, compliance já deveria ser uma prioridade nas organizações. Com exceção do setor bancário que já está bem amadurecido em relação a programas de compliance, não se vê ainda este assunto como uma prioridade na agenda das empresas.
As novas leis contra lavagem de dinheiro e anticorrupção influenciarão fortemente para uma mudança de postura nas empresas. Essas duas leis contam com mecanismos de redução de penalidades para as empresas que comprovarem a existência de um programa efetivo de compliance.

Panorama – A partir dessas reflexões, o que podemos esperar para os próximos anos?

Aline Ribeiro – Eu acredito que, nos próximos anos, veremos mais empresas no Brasil preocupadas em ter programas de compliance e isso é bom para o mercado como um todo. É bom porque estabelece um padrão nos negócios baseado em melhores práticas de mercado e boa governança. Hoje, ainda enfrentamos dificuldades em demonstrar os benefícios, porque ser 100% “compliant” aparentemente custa mais caro. Atuar em um mercado ético, íntegro e maduro significa competir em um mercado mais justo, onde todos entendem os benefícios e os custos. Eu torço muito para que Brasil evolua neste sentido e para que o governo continue incentivando, através de leis, essa boa prática empresarial.