Revolução do mercado – fundos imobiliários

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A solidez e rentabilidade dos fundos imobiliários geraram números recordes na procura desse investimento no ano passado. Números indicam que em 2013 o potencial desse negócio não será apenas uma perspectiva, mas uma realidade.

Historicamente, os fundos imobiliários sempre renderam menos que as demais alternativas de investimento para pessoas físicas no Brasil, perdendo até mesmo para a poupança. O ‘patinho feio’ dos investidores, no entanto, tem surpreendido nos últimos meses. O aumento da procura pelo recurso tem atingido recordes consecutivos na procura e na oferta. A isenção de imposto de renda poderia ser considerada o seu maior atrativo, mas pelo visto não é apenas essa vantagem que está ocasionando uma verdadeira revolução no mercado.

O aumento da procura dos investidores pelos fundos imobiliários hoje faz sentido, principalmente se levarmos em conta os resultados registrados por outros títulos em 2012. Isso gerou uma busca por opções mais seguras de investimento”, considera Roberto Patiño, gerente da área de Vendas e Investimentos da JLL.

Não há dúvida de que os fundos imobiliários foram o grande destaque do ano passado, seja em relação à rentabilidade ou pelo forte crescimento da oferta. Os números divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não deixam mentir. Somente os registros de ofertas atingiram R$ 15,4 bilhões, mais do que o dobro dos R$ 7,6 bilhões de 2011. Dados da consultoria Fundo Imobiliário, por sua vez, revelam que o retorno médio dos portfólios negociados foi de 42,21%, considerando o ganho com o aluguel e a valorização das cotas no mercado.

Dos 47 fundos acompanhados pela empresa, 40 ultrapassaram o CDI em 2012, que foi de 8,4%. Somente o IFIX – índice de fundos imobiliários da BM&FBovespa, valorizou 23,93% no período. E segundo Patiño isso é apenas o começo.

É um mercado com muito potencial, pois ainda é pequeno no país. Trata-se de um meio de renda sólido e seguro”, afirma.

Ao que tudo indica essa informação é mais do que uma simples constatação. O início de 2013 já deu fortes sinais de aquecimento. Entre ofertas em análises e já registradas na CVM, o resultado corresponde a 17 operações, que juntas somam R$ 4,3 bilhões, representando quase 30% do levantamento de 2012, ano em que foram realizadas 48 operações. “O amadurecimento desse mercado está estimulando o surgimento de novas modalidades de operação”, acrescenta o executivo.

Uma delas é voltada especificamente ao desenvolvimento imobiliário, fazendo com que o investidor corra o risco da construção de determinado empreendimento. Patiño acrescenta que o setor de shopping centers também deve continuar aquecido. “Um dos exemplos é o Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, que apresentou forte valorização”, avalia. A ampla distribuição das ofertas para o segmento de varejo também tem se popularizado. A participação de pessoas físicas nessa modalidade cresceu 175,3% em 2012, passando de 35.282 para 97.128 investidores.

A partir dessa realidade é possível destacar a resistência e a rentabilidade dos fundos imobiliários”, finaliza Patiño.