Rio de Janeiro: um mar de negócios à vista

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Grandes eventos e chegada de empresas aquecem a economia e o mercado imobiliário carioca.

 

O Rio de Janeiro sempre atraiu turistas em busca de suas belezas naturais e da animação do Carnaval. Mas, com o anúncio de que sediará a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, os campeonatos esportivos em 2016, a Conferência da ONU Rio+20 e a Jornada Mundial da Juventude com a visita do Papa Bento XVI, o estado e a cidade investem pesado em infraestrutura. Além disso, a indústria do petróleo e gás cresce vertiginosamente no estado mais importante do pré-sal, atraindo empresas de todo o mundo.

Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostram que entre 2011 e 2013 o Rio de Janeiro deve receber R$ 181 bilhões em investimentos públicos e privados, 44% a mais do que o anunciado para o período 2010-2012. Considerando sua pequena extensão territorial – apenas 43,7 mil km2 -, o valor dá ao estado o título de maior concentrador de investimentos em todo o mundo: mais de R$ 4 milhões por km2. Do total de investimentos previstos, cerca de R$ 11,5 bilhões serão relacionados aos eventos esportivos do Rio de Janeiro e R$ 36,3 bilhões irão para infraestrutura. Só em energia, devem ser aportados R$ 16,7 bilhões, além de R$ 11,8 bilhões em transporte e logística, R$ 4 bilhões em desenvolvimento urbano e R$ 3,8 bilhões em saneamento básico.

Guilherme Soares, diretor de Gestão de Projetos e Desenvolvimento da JLL, diz que, desde que a cidade deixou de ser capital do Brasil, em 1960, nunca houve um momento tão favorável para o Rio de Janeiro. “A perspectiva de desenvolvimento da cidade e do estado proporciona um clima propício para os negócios. Além disso, é uma das capitais com menor taxa de desemprego, em torno de 5%. Esses fatores são atrativos para as empresas”, comenta.

Para dar suporte aos investidores, a prefeitura da capital criou a Agência Rio Negócios, que faz a ponte entre os interesses da iniciativa privada e o poder público, como explica Antônio Carlos Dias, diretor comercial da Agência.

Essa parceria é natural e necessária. E a Rio Negócios desempenha um papel inovador. Nossa missão é atrair novos negócios para a cidade, ajudando as empresas de fora a se instalarem no Rio, e também auxiliar na expansão das empresas que já operam na cidade. Estamos falando de fortalecimento da economia e geração de novos empregos”, diz.

Para facilitar a atração de investidores, a agência tem uma equipe destinada à consolidação de dados e informações dos setores considerados estratégicos para a economia: energia, tecnologia da informação e comunicação, indústria criativa, hotelaria e turismo. Para se ter ideia, só a Petrobras deve aplicar R$ 107,9 bilhões até 2013, a indústria de transformação deve investir R$ 29,5 bilhões e, no turismo, serão R$ 900 milhões, segundo a Firjan.

Demanda imobiliária

Apesar da pequena dimensão do território, Pedro Candreva, diretor comercial da JLL, comenta que há espaço para a instalação de novas empresas. “Enquanto a capital concentra a demanda de escritórios, no interior do estado, a procura é por galpões e áreas industriais. Há muitas empresas logísticas e fábricas se instalando”, diz. Monica Lee, diretora da área de Representação de Ocupantes, diz que as oportunidades no segmento industrial estão, principalmente, nas cidades-satélite, ao longo da via Dutra e no litoral. “A construção do Arco Metropolitano, que irá contornar o município do Rio de Janeiro, está colaborando para o aumento da demanda por áreas industriais nessas regiões. Regiões portuárias, como Itaguaí e Macaé também são polos de atração”, afirma.

O projeto Porto Maravilha, que terá investimento de R$ 3,5 bilhões e irá reurbanizar a área portuária da cidade, aumentando o potencial construtivo da região, será concluído em 2015, mas já atrai a atenção de muitas empresas interessadas nos novos espaços. Já há algumas aquisições de propriedades antigas e galpões abandonados para desenvolvimento de edifícios corporativos.

“Estamos envolvidos com várias empresas que estão estudando negócios na área. Conhecemos a estruturação do projeto desde que estava sendo rascunhado e temos a expectativa de fazer muitos negócios nessa região.”

 

Guilherme Soares
Diretor de Gestão de Projetos e Desenvolvimento da JLL

Os retrofits – modernização e atualização tecnológica de prédios já existentes – acontecem por toda a cidade e ajudam a ampliar a oferta de escritórios de alto padrão para a crescente demanda. Em 2011, a expectativa é que este mercado cresça 30% em relação a 2010. São esperados mais de 300 mil m² de novo estoque nos próximos três anos, o que resultará em recorde histórico. Esse volume corresponde a 53% da somatória de tudo o que foi entregue nos últimos 14 anos na cidade.

De acordo com pesquisa realizada pela JLL, o valor médio do m² cresceu 36,9% no Rio de Janeiro nos últimos dois anos. No terceiro trimestre de 2011, a média geral dos valores de locação na cidade foi de R$ 120 por m², ante R$ 115 no segundo trimestre e R$ 108 no primeiro trimestre. O estoque total de escritórios de alto e altíssimo padrões é de 1,171 milhão de m2. A previsão de novo estoque é 195,2 mil m² em 2011 e de 156,7 mil m² em 2012.

O diretor da Agência Rio Negócios destaca a importância do trabalho da JLL neste cenário e aponta três temas fundamentais quando os investidores discutem projetos que pretendem estabelecer na cidade, seja um escritório ou uma planta: entender o ambiente, conhecer a mão de obra e os espaços disponíveis.

O local onde a empresa irá se instalar é essencial, além do conhecimento da metragem, do valor dos terrenos e dos planos de infraestrutura para a região, como habitação e transporte. A relação com empresas como a JLL é fundamental para o desenvolvimento econômico da cidade, pois, por meio dela, conseguimos responder ao investidor quais são os melhores endereços na cidade”, afirma Dias.

 

Diversificação de serviços

O aumento da ocupação da cidade e a chegada de empresas internacionais, com uma cultura de serviços imobiliários mais desenvolvida, estimulam o mercado local a mudar seus hábitos. Jorge Azevedo, gerente da área de Gerenciamento de Propriedades da JLL no Rio de Janeiro, explica que muitos clientes potenciais ainda confundem a administração profissional com o trabalho do antigo síndico.

Mais do que pagar as contas, nós buscamos os melhores fornecedores e serviços pelos melhores custos. Desenvolvemos um ambiente de qualidade para os ocupantes e ajudamos proprietários e investidores a manter o imóvel valorizado e atualizado por meio de melhores práticas de gestão e do planejamento de investimentos”, diz.

Nos últimos cinco anos, a área mais que dobrou o número de negócios e a meta é crescer outros 50% até 2014, segundo Azevedo. As oportunidades que mais se desenvolvem atualmente estão em condomínios comerciais de alto padrão e parques logísticos, bem como em condomínios residenciais de alto padrão que têm serviços customizados. Azevedo explica que também é possível contratar o Gerenciamento de Propriedades na fase do desenvolvimento do projeto. “Esse tipo de serviço colabora para a redução de custos e mitigação de riscos durante a construção e na operação do empreendimento”, comenta.

 

Hotelaria

Só os turistas que visitam cartões-postais como o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, uma das sete maravilhas modernas do mundo, já são suficientes para ocupar a rede hoteleira da cidade. Em 2010, foram 14 milhões de turistas no estado, segundo a Turisrio. Mas, à medida que crescem os negócios, aumenta também a demanda por hotéis.

A capital brasileira do óleo e gás passa por um momento de aquecimento do setor, como afirma Ricardo Mader, diretor da divisão de hotéis da JLL no Brasil.

“O Rio de Janeiro é uma cidade comprimida entre o mar e as montanhas, portanto, não tem muito terreno disponível. São as ‘barreiras de entrada’, que tornam os preços mais altos e, por consequência, dificultam a execução dos projetos. Para driblar o problema, a prefeitura criou uma legislação específica que permite aumentar o potencial construtivo para hotéis. E a JLL já vem atuando em projetos de conversão de prédios comerciais em hotéis”

 

Ricardo Mader
Diretor da JLL Hotels no Brasil.

Cristiane Furtado, gerente de hotelaria da Agência Rio Negócios, explica que a orla ainda é mais procurada pelos investidores hoteleiros. Entretanto, essa área já está saturada e existem outros polos com potencial de desenvolvimento, especialmente para o segmento de negócios.

Apostamos em áreas próximas ao aeroporto, como a Ilha do Fundão, onde fica o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que concentra diversas empresas de pesquisa e desenvolvimento. Do outro lado da cidade, na Zona Oeste, há grande demanda por novos hotéis na Barra da Tijuca e em Santa Cruz, região que abriga o maior complexo industrial da cidade. Na parte central, toda a área que será revitalizada pelo projeto Porto Maravilha também representa oportunidade para o setor hoteleiro e para a construção de centros de convenções”, enumera.

Jornalista Responsável: Velma Gregório – MTB 5497