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Por que não rever o que pode ser feito de modo diferente, com foco em otimizar custos, melhorar performance e reduzir o impacto ambiental e pensar em tecnologias auxiliares ao ar-condicionado? Nós podemos ajudar.

Veículos muito leves (por serem feitos de fibra de carbono), híbridos a gasolina e eletricidade, movidos a energia solar ou o modelo a hidrogênio, que exala água em vez de fumaça. Tecnologias como essas ainda estão em desenvolvimento ou disponíveis apenas para públicos muito restritos. Mas são carros-conceito como esses que acabam desencadeando o desenvolvimento de novidades que vão rodar pelas ruas.

Como acontece na indústria automobilística, em diversas áreas sempre surgem novas tecnologias que, ainda que sejam impraticáveis no mercado real, acabam inspirando o desenvolvimento de inovações importantes do ponto de vista ambiental, de custos e de desempenho. No campo da refrigeração para edificações, foi apresentada uma tecnologia inovadora. É quase uma utopia, mas interessante porque faz as pessoas pensarem diferente, enxergarem novas possibilidades.

A novidade é o uso de cerâmicas de hidrogênio, um material que interage com a temperatura atmosférica, resfriando o ambiente em dias quentes e esquentando no frio. São bolhas de hidrogel que podem absorver até 400 vezes sua massa em água. Podem absorver a chuva ou ser carregadas com água e evaporam o líquido para dentro do ambiente, refrescando-o.”

A inovação nem sempre está vinculada ao inédito e muitas vezes advém da observação e melhoria de algo que já existe. Com a descoberta de novos materiais, quebra-se a barreira do “impossível”. Esse é um exemplo interessante, pois veio do estudo da ventilação natural usada em casas da idade média, onde grossas paredes faziam circular ar por convecção e quando a umidade absoluta da região era favorável até fazia cair sensivelmente a temperatura interna do ambiente devido à umidade nas paredes.

Essa novidade ainda está longe de ser produzida em larga escala e pode ser comparada aos carros-conceito. Mas já existem tecnologias que ajudam a reduzir a dependência do ar-condicionado, um equipamento que tem um peso relevante na conta de energia. Como exemplo, podem ser citados o envelopamento de edifícios, o uso de materiais e esquadrias isolantes, que têm películas reflexivas ao calor sem o escurecimento que afeta as fachadas, e as tintas térmicas para telhados, particularmente interessantes para galpões. É possível ainda optar por vidros com proteção solar, que refletem a radiação.

São tecnologias comprovadas e não estão tão difundidas porque os proprietários não fazem a conta de quanto poderiam economizar. Evidentemente, custam mais inicialmente, mas a recuperação do investimento é garantida em menos de três anos.”

André Okamura é COE Latam & gerente de Energia e Sustentabilidade da JLL.

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