Setor hoteleiro passou a ser atrativo para investidores

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Há perspectivas de melhora de desempenho dos hotéis já a partir de 2016, com a expectativa de recuperação da economia e com a realização dos campeonatos no Rio de Janeiro.

A desvalorização do real frente ao dólar teve reflexos positivos no setor hoteleiro. Com a alta da moeda norte-americana, o Brasil voltou a ser um destino turístico mais atrativo, o que beneficiou o desempenho dos resorts. Pesquisa feita pela JLL mostra que o faturamento dos resorts cresceu 33,4% em 2014, na comparação com 2013.

Realizada desde o início da década de 1990 pela JLL, a pesquisa “Hotelaria em números” revela também que, mesmo num cenário de baixo crescimento econômico, o desempenho operacional dos hotéis brasileiros registrou crescimento em 2014. No caso dos resorts, o resultado operacional bruto aumentou 2,8 pontos percentuais.

A alta do dólar beneficiou, ainda, o segmento de timeshare (tempo compartilhado), que tem atraído cada vez mais os brasileiros. Vários resorts vêm implementando esse conceito com sucesso.

Nos últimos cinco anos, a JLL conta com a parceria do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) para fazer a pesquisa, que este ano teve a participação de mais de 460 hotéis, resorts e flats.

Um dos principais indicadores obtidos com esse levantamento é o RevPar (do inglês, Revenue per available room), um índice de rentabilidade que combina a taxa de ocupação e a diária média, representando a receita por apartamento disponível. Em 2014, a RevPar dos hotéis brasileiros registrou crescimento pelo décimo ano consecutivo.

De acordo com o estudo, o aumento da receita por apartamento, porém, foi mais modesto em 2014 do que nos anos anteriores. Mesmo o impacto positivo da Copa do Mundo nos principais mercados hoteleiros não foi suficiente para compensar o fraco ritmo de crescimento da economia brasileira.

 Setor em expansão, com oportunidades para investidores

Segundo estimativas da JLL, o Brasil tem, hoje, 10.050 empreendimentos hoteleiros, com 500.212 quartos. Em 2014, a taxa de ocupação fechou em 64,9%, um ponto percentual abaixo do índice de 2013. Já o valor médio da diária chegou a R$ 267 no final de 2014, com um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior – abaixo da inflação que, no mesmo período, ficou em 5,9%.

No ano passado, ocorreram as maiores transações da história do setor hoteleiro no país. Os três principais negócios tiveram a participação de fundos de private equity: o fundo Quantum adquiriu a Atlântica Hotels, uma das maiores administradoras hoteleiras do Brasil; o fundo GTIS comprou cerca de 70% das ações do Brasil Hospitality Group (BHG); e o fundo HSI adquiriu a Rede Arco Hotéis, que tem 12 empreendimentos no interior do Estado de São Paulo e está desenvolvendo 20 hotéis com a marca própria Zii em várias cidades brasileiras.

Essas transações são uma prova de que o Brasil continua no radar para investimentos de longo prazo e de que o setor hoteleiro nacional tem um grande potencial e oferece várias oportunidades para investidores”, afirma Ricardo Mader, diretor da área de Hotéis e Hospitalidade da JLL para a América do Sul.

As dificuldades enfrentadas pela economia brasileira, com pressão inflacionária e aumento do custo da energia, deverão impactar a performance do setor hoteleiro em 2015. Mas, segundo Ricardo Mader, há perspectivas de melhora de desempenho dos hotéis já a partir de 2016, com a expectativa de recuperação da economia e com a realização dos eventos esportivos no Rio de Janeiro.

O presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, Manuel Gama, também é otimista com as perspectivas do setor.

De fato, de maio para cá, temos vistos os nossos indicadores mais baixos do que no ano passado. Entretanto, observamos que as redes têm mantido o otimismo no médio e longo prazo. Seguimos com a expectativa de ter mais 400 novos empreendimentos até 2020, o que significa uma adição de 75 mil apartamentos na rede hoteleira em todo o Brasil”, destaca.