Destino de bilhões

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Atraídos pelas oportunidades de crescimento do mercado, grupos estrangeiros investem no setor imobiliário brasileiro, registrando um recorde na captação de capital em 2012.

Os números deixam claro. O Brasil é hoje um dos principais destinos de Investimentos Diretos Estrangeiros (IED). Dados mais recentes, divulgados pelo Banco Central, revelam que o montante aplicado por empresas internacionais no país, de janeiro a outubro de 2012, correspondeu a US$ 55,306 bilhões, quase o mesmo valor acumulado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 55,960 bilhões. Um dos mercados que contribui para esse resultado é o imobiliário. Beneficiado pela economia estável e em ascensão, o setor hoje registra um recorde de capital estrangeiro para projetos, que varia de R$ 5 a R$ 10 bilhões.

A estimativa divulgada pela Ernst & Young Terco, no estudo Real Estate Report, indica que o valor “é mais do que jamais houve, mas menos do que o necessário”.

Para se ter uma ideia, somente para reduzir em dois terços o déficit habitacional acumulado no país, seria preciso investir R$ 18 bilhões/ano até 2030. Esse montante daria conta do déficit acumulado, isso sem considerar as necessidades de renovação de imóveis e fatores demográficos, como o crescimento populacional e a redução do número de pessoas por moradia”, diz Viktor Andrade, diretor de Fusões e Aquisições para o setor imobiliário da Ernst & Young Terco.

Se para muitos esse cenário significa desafio, para outros é considerado uma oportunidade. André Rosa, diretor de Vendas e Investimentos da JLL, ressalta que as vantagens competitivas, a economia em crescimento, o regime político democrático e a concentração elevada da população produtiva – que elevam os índices do consumo – são alguns dos fatores que atualmente estimulam o aumento do capital estrangeiro no setor imobiliário. “A pesquisa Global Capital Flows, realizada pela JLL, revela que US$ 9.300 bilhões foi o total de investimentos estrangeiros em imóveis comerciais no Brasil, em 2011, incluindo indústria, varejo e logística. Um valor muito maior em comparação a 2010 (US$ 5.432 bilhões), 2009 (US$ 1.3 bilhão) e 2008 (US$ 1.5 bilhão)”, justifica.

Fundos imobiliários

André Rosa, diretor de Vendas e Investimentos da Jones Lang LaSalle | Foto: Marina Markoff

André Rosa, diretor de Vendas e Investimentos da JLL | Foto: Marina Markoff

Segundo ele, ingressar no mercado brasileiro é interessante para o investidor internacional, que também busca estabelecer uma base de atuação no Brasil. “Há gargalos nos portos, nas rodovias, nas ferrovias, nos aeroportos, que estão provocando uma movimentação no mercado de capital. Além disso, mais de 80 fundos imobiliários estão sendo negociados na Bolsa de Valores, incentivando o desenvolvimento do setor”, acrescenta.

A partir do cenário macroeconômico, a estrutura do mercado imobiliário e de construção civil no Brasil garante a conquista de margens superiores às da China, dos Estados Unidos, da Alemanha, França, Índia, do Canadá, e Japão. Em outro estudo da Ernst & Young, sobre a atratividade do Brasil, 60% dos líderes de empresas estrangeiras acreditam que o cenário é positivo para estabelecer suas operações no país futuramente, enquanto 30% esperam um crescimento expressivo do setor imobiliário e de construção – o segundo mais promissor em suas visões, atrás apenas de petróleo e gás – em dois anos.

André Rosa destaca que essa realidade favorece os negócios, que devem se expandir ainda mais nos próximos anos.

O setor hoteleiro hoje desenvolve uma estrutura para recepcionar turistas de diversas nacionalidades, enquanto o de shoppings center está em plena expansão. Esses são apenas alguns exemplos que mostram que o setor permanecerá crescendo e que a crise econômica mundial não irá afetá-lo. Temos demandas internas e outras cidades com muito potencial de mercado, como Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF)”, pontua.