Tendência é de recuperação de preços no mercado de escritórios corporativos em São Paulo

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O Relógio Imobiliário – ou JLL Clock – indica que ainda há boas oportunidades para locatários ou para aquisição de imóveis. Mas os preços mostram tendência de alta na capital paulista.

Em novembro de 2016 a pesquisa Capital Markets: tendências do mercado imobiliário, divulgada pela JLL, indicou que o mercado de escritórios corporativos de São Paulo havia alcançado as 6 horas e o alarme havia disparado. Naquele momento, os valores de locação estavam alcançando os valores mínimos de mercado.

As regiões nobres de São Paulo, Faria Lima, Vila Olímpia, Paulista, Itaim e JK, já observam redução nas taxas de vacância e manutenção ou subida nos preços de locação, ao contrário do visto anteriormente. Apenas Berrini/Chucri, dentre as regiões nobres, ainda não atingiu essa marca devido ao grande estoque disponível, mas que vem pouco a pouco sendo ocupado por grandes empresas.

As regiões secundárias e alternativas de escritórios paulistas estão um pouco atrasadas em relação às regiões nobres (5:30), seguidas pelo mercado de escritórios do Rio de Janeiro (5:00). Este atraso justifica-se através dos diferentes momentos que vivem os mercados, quando ainda há muito estoque disponível vago e ainda há possibilidade de redução nos preços de locação.

Da mesma forma, podemos posicionar os ponteiros do mercado industrial no clock, que vale para condomínios logísticos de alto padrão. Seguindo as premissas de vacância, absorção e preço, São Paulo está nas 6 horas e o Rio de Janeiro às 5 horas.

Mas o que isso significa?

Eduardo Miyamoto, da área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da JLL, explica que o mercado imobiliário é cíclico e muda em função da demanda e da oferta. Nos últimos quatro anos, havia sobreoferta em razão de muitas entregas de edifícios e ainda pela retração macroeconômica. A taxa de vacância elevada favorecia os interessados em fazer uma locação, pois conseguiam descontos e outras facilidades dos proprietários.

O cenário de baixos preços e descontos adicionais para locação já não é realidade nas regiões nobres de escritórios de São Paulo. Grandes espaços estão ficando cada vez mais difíceis de serem encontrados. Nos últimos dois anos, observamos uma grande área ocupada, o que chamamos de absorção bruta, num momento em que a economia ainda estava em recessão ou recuperação. Isso indica que os ocupantes aproveitaram a oportunidade para reduzir custos, fazendo novas locações. Os investidores, por outro lado, iniciaram um processo de compra de ativos na cidade.

Os valores de compra já apresentam sinais de recuperação desde o 3T2017, como indicou o estudo Está na hora do sale and leaseback. Com cap rates em redução, o mercado imobiliário passa novamente a ser interessante para investimento. Além disso, a baixa de taxa de juros e a alta do dólar tornam o mercado brasileiro mais interessantes para os investidores, principalmente internacionais.

A janela de oportunidades já está se fechando nas regiões nobres de escritórios de São Paulo, mas ainda há tempo para bons investimentos em logítica e escritórios no Rio de Janeiro e regiões secundárias e alternativas em São Paulo.

Saiba mais sobre os ciclos imobiliários e o JLL Clock.

 

Foto: Shutterstock