Você sabe o que é Design Thinking?

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“Alcançar soluções para problemas cada vez mais complexos exige uma ação dinâmica, a partir da análise de várias ideias, traduzindo-as em propostas viáveis e que façam sentido para as pessoas”, nos explica a consultora organizacional e em empreendedorismo Maria Augusta Orofino, uma das pioneiras e uma referência em desenvolvimento de modelos de negócios inovadores e design thinking no Brasil.

Com a experiência de quem já treinou e capacitou mais de 6.500 pessoas, nos últimos seis anos, no tema de inovação e modelos de negócios – e é mestre em Gestão do Conhecimento com cursos de extensão realizados na Duke University, UC Berkeley (Estados Unidos) e Universidade de Barcelona – Maria Augusta acredita que a aplicação da abordagem Design Thinking resultaria em soluções inovadoras, nunca antes pensadas. Confira a entrevista da consultora à revista Panorama:

O que é Design Thinking?

Design Thinking é uma abordagem para criação de ideias que permite soluções ágeis e inovadoras. Dessa forma, por proporcionar ambientes colaborativos, novas ideias e melhorias de processos podem surgir, sem censura e de forma livre. De forma resumida, é voltada para solução de problemas e geração de valor por meio da identificação e atendimento das necessidades das pessoas. As instituições que adotam essa abordagem continuamente estão redesenhando seus processos, visando à inovação e à efetividade.

Como essa abordagem poderia ajudar a melhorar as cidades brasileiras?

Alcançar soluções para problemas cada vez mais complexos exige uma ação dinâmica a partir da análise de várias ideias, traduzindo-as em propostas viáveis e que façam sentido para as pessoas. Se abordado dessa maneira, o Design Thinking representa uma nova forma de aprendizagem que estimula a consideração de uma variedade de proposições para que a melhor solução surja naturalmente.

Essa abordagem poderia ajudar a melhorar as cidades brasileiras a partir da formação e estímulo ao surgimento de grupos de estudo dos problemas da cidade para que, de de forma colaborativa, os cidadãos pudessem dar seu parecer e opinião, seja de forma presencial ou por meio de plataformas digitais.”

Como poderia ocorrer a participação da sociedade na discussão dos problemas e proposição de ideias?

Estimulando a participação da sociedade civil no processo de geração de ideias para a solução de problemas complexos. Por exemplo: criar um portal de forma digital para que as pessoas possam ter espaço para opinar e, ao mesmo tempo, acompanhar as melhorias efetuadas a partir das suas proposições, promovendo um sentimento de pertencimento por parte da população.

Cada indivíduo possui experiências, relaciona-se com outras pessoas e dispõe de informações estratégicas que devem ser valorizadas. A construção colaborativa de soluções consiste em organizar as informações, aplicar o conhecimento coletivo e saber quando e como utilizá-lo na forma de resolução de problemas.”

Como o Design Thinking poderia fazer evoluir o planejamento das prefeituras?

Eu não acompanho a realização de planejamento das prefeituras, mas tenho certeza de que a abordagem do Design Thinking poderia ajudar muito. Ela considera três pilares básicos: 1. Praticabilidade – O que é possível ser aplicado em um futuro próximo; 2. Viabilidade – O que poderá ser implementado de forma sustentável na instituição; 3. Desejabilidade – O que faz sentido para as pessoas. Imagina isso na administração municipal. Faz todo o sentido.

 Quais são os desafios para o uso efetivo do Design Thinking na administração pública municipal?

Isso ainda é incipiente tanto no Brasil como no mundo. Para adotar efetivamente a abordagem do Design Thinking, temos que ter cidades inteligentes, conectadas por plataformas. Nessas cidades, as tecnologias passam a ser acessórias ao ser humano. Para promover o engajamento das pessoas precisa-se de conexões ágeis e efetivas em qualquer via pública. Assim, o cidadão comum a qualquer tempo e hora poderá contribuir via aplicativos ou outros meios.

Existe algum caso de aplicação da abordagem Design Thinking na gestão pública?

Como exemplo no Brasil, destaca-se o projeto de urbanização da Gávea, bairro da Zona Sul carioca, chamado de Parque Urbano Inteligente da Gávea ou Puig Project. Esse projeto configura-se como um parque urbano pautado nas smart cities, integrando desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento social, para gerar qualidade de vida e bemestar para a sociedade. No exterior, destaco uma experiência bem-sucedida na cidade de Nova York, com a criação de plataformas online como canal de contato permanente entre a cidade e seus moradores, captando, analisando e eventualmente aplicando feedbacks.

E você, conhece o design thinking? Quer nos contar sobre algum projeto inovador, que tenha trazido soluções para a sua cidade ou para o seu trabalho? Vamos conversar!